ANTROPOLOGIA ciência e arte existencial: Uma nova epopeia

Por REGIS ALAIN BARBIER

Sobre o livro

“ANTROPOLOGIA ciência e arte existencial” é um ensaio relativo à obra: “A reinvenção da sociedade primitiva, transformações de um mito”, do antropólogo Sul Africano Adam Kuper, que, nesta obra, conota que as descrições das sociedades primitiva são projeções de conveniência, de alguma forma psicanalisáveis, e não observações idôneas e pautadas em razão qualificada e metafisicamente ciente.

Por certo, não há buscas, inclusive científicas, sem alinhamentos axiológicos, reações ou posições frente às objetivações culturais envolvendo institutos e buscadores; pressupostos rondam, igualmente, as bancadas dos laboratórios onde pesquisas são encomendadas em acordo com posicionamentos mercadológicos e jogos de poder.

Observações antropológicas acontecem em contraste com entendimentos prévios, graus de sapiência e posicionamentos mítico-religiosas, sejam obedecidos, desafiados, negados ou silenciados.

Logo, a observação de uma estrutura civilizatória jamais é neutra, inclusive esta observação autoral referente à reinvenção da sociedade primitiva.

Adam Kuper, desconstruindo a busca antropológica clássica, empreende sua análise a partir: 1) dos seus – não explicitados – pressupostos culturais assim como 2) da dita ‘neutralidade’, científica ou, no caso, cientificista; o que denota um posicionamento com enraizamentos metafísicos.

Como evitar arbitrações onde o cientificismo é elevado à categoria de método soberano para, através dessa ‘neutralidade’ epistemológica, orquestrar significados, mas, de fato, expressando uma natureza política situada?

A resposta é a que antropologia não é neutra; o antropólogo existe como estado-de-ser inscrito numa cultura, marcado por impressões históricas e compromissos batismais servindo de fulcros.

Para ser válido, o estudo antropológico deve vistoriar culturas, superar circunstâncias sectárias e efêmeras, e reportar ao que é inerente e específico do Homo sapiente, sapiente: isto é, à capacidade de reconhecer-se como estado-de-ser suspenso no eternal, apto a considerar as decorrências filosóficas atinentes a tal realização, operando no aprimoramento da cosmovisão e no mapeamento de uma comunidade virtuosa e de uma boa vida.

Neste ensaio problematizo essas perspectivas na tentativa de distinguir alguns fragmentos, hoje dispersos, dessa sociedade prima.

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