Antonio, o homem que limpava cadáveres

Por Renata Soltanovitch

Sobre o livro

O assunto morte sempre me intrigou.

O fato é que, se o assunto fosse sereno, ninguém se preocuparia com o fim disto tudo, pois, se morrer fosse “bom”, não haveria tanta preocupação em se proteger, se acautelar com seguranças, carros blindados, ou cuidar de suas doenças físicas, pois são poucos que se preocupam com as doenças da alma.

Quando penso que a vida poderá ser extinta a qualquer momento, seja por um infeliz ladrão, seja por um câncer sem precedentes, uma doença qualquer ou um irresponsável ao volante de um veículo, questiono por que nos aborrecemos com as coisas, antecipando a morte interna.

Embora o que façamos nunca venha a ser o bastante e nem o suficiente, deve ser feito tudo com dedicação, ainda que não resulte no esperado, pois, no dia em que a morte chegar, que àqueles que nos atendam para cuidar de nosso corpo inerte tenham o respeito e a acuidade de que um dia alguém habitou aquele corpo.

Que no dia do velório e do enterro (ou da cremação), as pessoas lamentem a ausência de sua companhia, pois, depois de algum tempo, ninguém mais irá se lembrar de você, exceto se for famoso, em que seu nome ficará para a história.

Caso contrário, quando muito, alguns poucos amigos e a sua geração seguinte que fizer uso de sua herança patrimonial poderão se lembrar de sua figura. Nada mais!

Portanto, aproveite bem a vida, compartilhe a amizade e faça uso correto de seu livre-arbítrio, pois suas decisões ficarão registradas em sua memória para sempre. Espero que aprecie este conto!

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