Sobre o livro
Morrer é futuro de data incerta. Espera-se a poesia da velhice. Não me peçam as glórias da infância, foram tristes. Revolta sair de cena inesperadamente. Mas desse trauma, se voz tiver, falo depois.
Hoje o dia amanheceu cantando, como diz a canção, gosto do cheiro da madrugada, depois o calor do sol fresquinho, pena que acordei jururu.
Ao chegar no primeiro trabalho, um colega anunciou, “Cara, estás zoado”, respondi “Garganta!”, devia ter ficado em casa, o rolo é que sou marido de uma linda morena desempregada, ela dezoito aninhos, eu vinte e dois.
Casamos há sete meses, assumimos dívidas, quero um carro usado, minha mãe caiu doente, está no hospital, cirurgia de risco. O segundo trabalho é adrenalina, entrego pizza. O primeiro é mais cultural, gosto de ler títulos e manchetes.
Sim, pela manhã distribuo livros e jornais; à noite, sacio os famintos. Ganho salário no resultado. Desculpa, amorzinho, você implorou para não sair, agradeço de coração o chá de hortelã, mel e limão.
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