Sobre o livro
Anacrônicas dos silenciados, de Kiu Oliveira, não é uma narrativa sobre desencanto, desajuste, desalinho com o tempo em que se vive, mas antes a prosa vigorosa de um homem ligado ao seu tempo, atento aos pulsos vitais, ao chamado da literatura em tempos de crise, que convoca e insiste na necessidade da luta com as palavras.
A cada capítulo, conflitos, lembranças, sensações se amalgamam e erigem o edifício da própria narrativa, inscrevendo a história contada por Kiu na memória do leitor e, mais nesta outra, coletiva, pulsante, que exige de nós algo mais que a vida ordinária, carentes de novas experiências, de arte, da vida fora do espaço da rotina.
Leonardo Costaneto
“O sol figurava a leste quando cheguei à biblioteca do meu bairro. Aquele espaço era um dos poucos lugares onde eu ainda me sentia vivo, submergindo em mundos diversos, em intimidade com livros. Já sentado, fui surpreendido por uma moça que se sentou ao meu lado.
Eu havia acabado de pegar um livro de história. De todas as leituras, história era a que mais me fazia gente.
Havia certo encantamento e charme sob aquele mar de palavras, e eu amava a sensação de liberdade proporcionada pela profundidade em que me encontrava, bem lá no fundo, usufruindo dos pulmões e dos olhos emprestados de outros que, assim como eu, alimentavam a paixão pela memória dos acontecimentos.
E uma frase ecoava em mim por todos os meus dias, desde que a ouvi, como um mantra: Todas as respostas possuem uma só guardiã, e seu nome é Histórias…” (trecho de Anacrônicas dos silenciados)
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