ANACORETAS

Por F ANTENOR GONSALVES

Sobre o livro

-Chega, João, chega! que eu já tou me revoltando também.

Seu Amaro ria, pulava, gargalhava e quis cantar alguma canção, e cantou alguma coisa, que deve ter sido “MULHER RENDEIRA”. Foi até a latada e retirou uma vara e saiu correndo outra vez e gritando; e rindo; e gargalhando; e pulando…

-Tá vendo estes calos, João?! Olha bem para estas mãos (que nem parecem mãos!). Deformadas!… não pegarão mais na enxada, João! Pegarão no fuzil, para fazer Justiça! Eu sonho com Princesa… Eu sonho com a Revolução de 30… Eu sonho com uma nova Revolução! Eu sonho com Canudos! Viva Canudos!

Viva CANUDOS!!! Viva PALMARES!!! Viva ZUMBI DOS PALMARES!!! Pan! Pan!… Pan… A terra é nossa! A terra é de quem trabalha na terra! A terra é nossa! A terra é nossa, Maricô! Pan! Pan! Eu amo esta terra; esta terra que reguei com o meu suor; esta terra onde plantei esperanças e colhi amarguras…

Amaro caiu, como se quisesse abraçar a “sua terra”, e, naquela posição, seu sonho morreu para sempre.

Já no cemitério, quando ia receber o último adeus dos amigos e familiares, e João se aproximou para o seu adeus final, dizem que Seu Amaro riu quando João Bodó lhe disse:

-“SÓ MORREM AS CAUSAS PELAS QUAIS NINGUÉM MORRE”!!!!! Vai, Amaro; a nossa luta continua.

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