AMOR E FELICIDADE NO PENSAMENTO DE TEILHARD DE CHARDIN

Por VERA LUCIA LUCARELLI

Sobre o livro

Teilhard de Chardin construiu um ideal de ciência, de amor e de espiritualidade com sua sensibilidade em relação à evolução da Criação, o que o consagrou perante seus próprios sentimentos em seus dias solitários nos desertos chineses.

Seus anos vividos no exílio foram fundamentais para descortinar sua senda mística.

Para Teilhard de Chardin, a ideia da evolução da humanidade tornou-se mais e mais sua perspectiva científica, apesar de perceber-se que ele jamais separaria o intelectual do espiritual, pois via na Matéria, Vida e Energia, os pilares da humanidade.

Ele não via nenhum conflito entre fé e ciência quando se trata do “coração da matéria”.

Por essa razão, Teilhard de Chardin procurou explicar cientificamente o homem dentro da evolução do mundo em direção a uma realidade espiritual e divina, por meio do espírito, que é, por conseguinte, absolutamente humano, constitutivo essencial do homem, o qual é formado pela divina potência que é o amor que se move em direção ao infinito.

Para o autor, é a pessoa humana que pode dar sentido à história do mundo em busca da felicidade. Para Teilhard de Chardin, a felicidade surge a partir da espiritualidade, a qual é conduzida pelo Espírito, cuja essência é o amor, uma característica específica de sentir a vida.

Ele sempre se mostrou otimista em relação à vida. No seu pensamento, a felicidade expressa a busca humana ao longo da evolução de todo o universo.

A espiritualidade e a mística cristã são fontes primordiais, embora não sejam as únicas de inspiração, de esperança em gerar um sentido pleno e de capacidade de autotranscendência do ser humano, as quais podem ser interpretadas como uma possibilidade de encontrar a felicidade.

O autor esclarece que entre o espírito e a matéria observa-se que quanto mais a alma é espiritual, mais seu corpo é múltiplo e frágil. Esse psiquismo elevado entre todos os seres vivos está conectado pelos elementos agrupados pela alma num corpo, “plus esse est cum pluribus uniri”.

Para a própria alma, princípio de unidade, “plus esse est plus plura unire”, cuja união se dá através da influência criadora de Deus “qui creat uniendo”, pois “só no Homem que saibamos, o espírito une tão perfeitamente em torno de si a universalidade do Universo.

A alma humana é o primeiro ponto de apoio definitivo a que se pode aferrar o Múltiplo alçado à Unidade pela Criação. Para o autor, o futuro da humanidade depende da coragem e habilidade do ser humano para superar as forças da solidão.

Para ele, a felicidade plena pode ser vivida através do florescimento do amor no universo humano, porque quanto mais o homem for grande, mais a humanidade será unida, consciente e mestra de sua força.

Para Teilhard de Chardin, a felicidade floresce conforme a miríade reservada às suas esperanças, porque o amor é a mais universal, mais formidável e mais misteriosa das energias cósmicas.

Em resumo, o autor relata que é na magnífica trama da vida, que ao discernir o Imenso que se faz e que nos atrai no âmago e no fim de nossas ínfimas atividades e aderir a ele, tal é no final das contas, o grande segredo da felicidade.

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