Amor de Propósito: Como conciliar uma paixão com quem manda no seu coração?
Por Arnaldo NetoSobre o livro
Capítulo 1
Mais um dia no qual não vivi. Apenas existi. Passei toda a jornada de trabalho exercendo uma única tarefa. Olhar para o relógio. Torcendo para que o tempo passasse mais rápido. Um lento suicídio. Afinal, se quero que minutos, horas acelerem… Quero o mesmo de dias, semanas, meses, vida.
Estou torcendo, de certa maneira, para a morte chegar logo. Saio do “trampo”. Checo minhas redes sociais sem nenhum propósito no transporte público. Chego em casa. Abro a porta silenciosamente para não acordar minha esposa. Mais um dia no qual não nos tocamos. Sequer trocamos palavras.
Meu maior medo? Perdê-la. Mas não posso trabalhar menos. Meu ofício? Telemarketing. O mês está acabando.
Estou longe da meta. O salário fixo mal paga o aluguel. Preciso das promoções. Por isso, estou dobrando turnos nas últimas semanas. Entro na cozinha morto de fome. Agarro um pacote de biscoitos e uma garrafa de cerveja. Sento no sofá e troco canais de TV completamente entorpecido.
A luz azul insiste em me estimular, mas meu corpo não aguenta mais. Deito ao lado das guloseimas e pego no sono pouco após consumi-las. De repente um barulho me assusta. Não por muito tempo. É o mesmo de todas as noites. O som da garrafa caindo no chão.
O fato se repete tanto que nem me faz levantar Entre trancos e barrancos, durmo. De hora em hora, acordo assustado. Com medo de perder a hora no dia seguinte. Em um desses despertares, me desloco para o quarto. Ela está lá, como sempre. Posicionada de costas pra mim. Dividimos um leito.
Mas existe um universo de distância entre nossos corpos. O despertador finalmente toca. O período de descanso nem de perto foi suficiente. Que escolha tenho? Levando, destruído.
Para o único momento de beleza das próximas 24 horas: Ver o sol entrando pela janela e iluminando a face da mulher que amo. Todos os dias faço a mesma coisa. Levanto as cortinas o suficiente para alguns raios entrarem. Mas não tanto para que acorde. Repito o gesto. E quando viro para observar o rosto do meu amor… Não tem ninguém ali.
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