Alicerce ou Precipício A casa era simples, mas cheia de vida. Na varanda, o cheiro de café se misturava com o som dos passarinhos. Marcos e Aline haviam construído tudo juntos — tijolo por tijolo, sonho por sonho. Mas, nos últimos tempos, o que antes era parceria começou a virar distância. Aline passava horas no celular, rolando as redes sociais, vendo fotos de casais sorridentes em viagens caras, restaurantes elegantes, carros novos. Começou a comparar a própria vida com aquelas imagens filtradas. “Por que a gente não viaja mais?”, pensava. “Por que o Marcos não me dá presentes como os maridos das minhas amigas?” Enquanto isso, Marcos saía cedo e voltava cansado. Carregava nas costas o peso do trabalho e nas mãos o silêncio de quem não sabia mais como se aproximar. Tentava conversar, mas ela estava sempre distraída, imersa naquele mu ndo digital que parecia mais colorido do que a vida real. Certa noite, durante o jantar, Aline soltou de repente: — Acho que nossa relação esfriou. Marcos olhou surpreso, deixou o garfo cair e respondeu com calma: — O amor não acaba de um dia pro outro, Aline. Ele só precisa ser regado. Ela desviou o olhar e disse: — Mas parece que só eu me esforço. Nos dias seguintes, as conversas ficaram mais tensas. Aline começou a desabafar com Luciana , uma amiga recém-chegada ao seu círculo. Luciana ouvia, mas em vez de aconselhar com sabedoria, lançava pequenas faíscas: — Você merece coisa melhor. — Homem quando esfria é porque tem outra. — Se eu fosse você, pensava em mim mesma. Essas palavras caíam como veneno suave, dissolvendo lentamente o amor que ainda existia. Aline não percebia, mas estava sendo puxada para o precipício das aparências — aquele lugar onde tudo parece bonito, mas nada é real. Até que um dia, após uma discussão mais séria, Aline fez as malas e foi para a casa da mãe. Disse que precisava “pensar na vida”. Marcos não insistiu. Sabia que o amor não se prende à força. Apenas deixou uma mensagem simples no celular dela: “O amor é o alicerce. Sem ele, tudo desaba.” Os dias passaram devagar. Longe de casa, Aline começou a perceber o que havia perdido: o cheiro do café, as risadas pequenas, o companheiro de tantos anos. O brilho das redes sociais já não encantava tanto. Percebeu que muita gente que se dizia feliz vivia, na verdade, de aparências. E que as falsas amigas que a aconselhavam não viviam o que pregavam. Certa manhã, olhando o celular, viu uma lembrança antiga: uma foto dela e de Marcos sorrindo na varanda, com a legenda “Juntos somos mais fortes”. Chorou. Era simples, mas verdadeiro. Naquele instante, entendeu: o amor não é luxo, é alicerce. Sem ele, tudo se perde. Voltando para casa, Aline encontrou Marcos pintando o portão. Ele a olhou, surpreso, e não disse nada. Ela se aproximou, colocou a mão sobre a dele e murmurou: — Eu quase deixei a gente cair do precipício. Marcos sorriu, com os olhos marejados, e respondeu: — O importante é que voltamos a construir do alicerce. Naquela noite, o vento soprou forte, mas dentro da casa reinava uma paz nova. O diálogo voltou, o carinho também. Aline aprendeu que as aparências iludem e que o amor verdadeiro é silencioso, constante, paciente. É aquele que não precisa ser mostrado para o mundo — basta ser sentido. 💡 Mensagem central “Alicerce ou Precipício” é um conto sobre os relacionamentos da era digital e os riscos de se deixar levar pelas aparências e influências externas. Mostra que o amor precisa de base, não de espetáculo — e que o verdadeiro luxo é ter alguém que constrói a vida ao seu lado, tijolo por tijolo.
Características do eBook
- Autor(a): Sérgio Ciríaco de Freitas
- Categoria: Autoajuda
Amostra Grátis do Livro
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