Algumas Luas no Xixá

Por Humberto Henriques

Sobre o livro

Humberto Henriques ressurge com mais um romance de sua lavra no ano de 2024. Trata-se da história de Gimba, um dos antigos amigos do autor, nos idos tempos de sua juventude cantada no estado de Goiás.

Gimba, referido em nascimento como Adair Machado, deveras foi uma alma que circulou no mundo, entre Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, durante um largo período de convivência com o autor.

Então, o que se sabe e estas informações surgem de muitos recantos, criaturas que com ambos tiveram a mesma relação e convivência, a amizade entre a criatura e criador aqui era uma realidade. Porém, não se trata de um conto baseado na realidade. A única realidade é a personagem.

Ela realmente existiu em carne e osso. Mas o que ocorre no entorno, tudo que se concentra em ação e reação, tudo isso fica por conta da ficção que não pode ser refutada.

O que se tem com certeza é que o Gimba teve uma influência marcante e decisiva em vida do escritor, tanto isso deve mesmo ser toda a verdade, de outra forma não teria a ele dedicado um romance como esse, uma pequena obra-prima da Literatura Brasileira.

Portanto, mais uma vez esse ele grandioso entre ficção e a coisa baseada em fatos reais, mais uma vez demonstra aqui que tudo gira em torno de uma massa enorme de reordenação quântica de valores.

A realidade cria essa ficção imponente e a ficção se urbaniza a mais numa realidade e tudos e transfere para a eclosão da obra de arte.

Não é da competência dessa pequena apresentação o aprofundamento maior na filogenia desses casos e acasos, aqui nos compete apenas apresentar de forma sucinta, sumária, esse referencial de universo que se transportou às páginas da história.

Ao se interpretar a consolidação de uma história como essa, há que ser considerado o espesso amor que o autor e a personagem sempre dedicaram ao estado de Goiás e ao Xixá, termo antigo que designava a localidade de Itapuranga.

Henriques sempre navega nas terras desse mundo que faz parte de sua formação. Desde os dias em que publicou o ensaio Araguaia e seu guia romanesco, o Crixás, todo o universo goiano começa a ser destrinçado de uma maneira bastante peculiar.

A intimidade que o autor tem com esse mundo e com as relações humanas inerentes ao meio em que se ambienta, esse conjunto faz dele um exótico tribuno do estado de Goiás.

Ocorre que não é somente esse pano de fundo que se descortina, a obra henriquiana se pauta pela capacidade que tem o autor de dar às suas personagens esse caráter de sobriedade lúdica e uma introspecção que, a princípio, parece ser simples, mas que se amplia à medida que se vagueia de forma mais deliberada por todas as páginas dessa criação fantástica.

Em outras palavras, esse romance que carrega o Gimba em sua intimidade tem um valor de excepcional estética. Todo o encadeamento fictício em Algumas Luas no Xixá não obedece a regras nenhumas dentro do fundamento das Letras.

Henriques determina seu estilo próprio, o que acaba por contrariar o que se observa em dias hodiernas dentro do processo criativo nacional. O autor foge à regra coinvencional.

Diante desse argumento, age como se fosse o corredor que mantém a corrida em parelelo com os demais, sem participar diretamente do certame.

Depois dos trinta últimos anos do século que passou, houve um recrudescimento importante dentro dos fenômenos criativos – isso já foi amplamente comentado por nós durante a busca, a té certo ponto ousada, do entendimento das razões para isso.

Alguns poucos tentaram se estabelecer como força de resistência e manutenção de um arquétipo defensor das Artes Pláticas em seu conjunto global.

É esse mesmo o motivo que parece levar Henriques a manter a sua insistência dentro de um projeto que pretende escapar da vulgaridade que campeia de maneira desordenada.

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