AJUDE–SE A SI MESMO

Por FELIPE RODRIGUES

Sobre o livro

Nós somos o que os nossos pensamentos, emoções e esforços fizeram de nós. Ninguém está condenado a ser vítima da herança.

Cada um possui uma energia divina, que o habilita a vencer a pior condição hereditária; pode fazer do seu corpo um templo de saúde e harmonia, ou um antro de doenças e discordância.

Assim como cada gota do orvalho da madrugada é uma miniatura do sol que nela se reflete, assim também cada célula do nosso corpo reflete os pensamentos da nossa mente e as emoções do nosso espírito. O êxito não é questão de idade, mas de confiança.

Antes que possamos vencer na vida, é preciso crer na nossa possibilidade de vencer. Costuma-se dizer que quem aos quarenta anos não é rico nem sábio, já não terá ocasião de juntar riquezas nem sabedoria.

Mas, como já o devem ter notado muitas pessoas, a idade não se calcula pela data do nascimento, mas sim pela elasticidade das artérias, tranquilidade de espírito, força do estômago e vigor do coração.

A nova filosofia nos ensina que é preciso domar a personalidade por meio da vontade firme e enérgica do domador.

Primeiro que tudo, devemos nos libertar da crença nefasta “infeliz” de que a nossa personalidade simboliza o verdadeiro ser, porque, enquanto assim pensarmos, o desânimo e o aborrecimento nos perseguirão por toda a parte.

Se aspiramos a elevar-nos acima do nível de inferioridade em que até agora havemos vegetado, expulsemos do nosso espírito a imagem do homem exterior, que nunca se colocou à altura das suas possibilidades, e a substituamos pela do homem interior, para então nos esforçarmos em a converter em pura realidade.

Vejamo-nos no mágico espelho da nossa alma, onde está escrito o propósito com que Deus nos deu a existência, e nele veremos se refletir o nosso verdadeiro ser.

Pensemos, falemos, obremos e vivamos em harmonia com a lei de Deus, e então seremos colaboradores no plano da evolução do mundo; e, ajudando a humanidade, começaremos a nos ajudar a nós mesmos.

Porém, a nova filosofia nos revela o nosso verdadeiro parentesco, dá-nos a chave da nossa herança e nos estimula a encarar a vida com nova e redobrada coragem e com fins mais elevados, apesar das lutas, ódios, crimes, assassinatos e demais atrocidades “barbaridades; crueldades,” que parecem negar a natureza divina do espírito humano, nas nações que se presumem de cultas.

Assim como os antiquários “estudiosos, colecionadores ou comerciantes de antiguidades” costumam ir descobrir, sob as manchas e sob o pó de um quadro que para o leigo parece nada valer, uma obra de arte que é às vezes uma verdadeira maravilha, assim também o psicólogo vai descobrir, debaixo das roupas sujas do mendigo e do aspecto desagradável do criminoso e perverso, o verdadeiro homem suscetível de aperfeiçoamento pela evolução.

Não obstante “impedindo” a frequência com que se repete a conhecida máxima Nosce te ipsum “Conhece a ti mesmo,” inscrita no frontispício “fachada” do templo de Delfos, a maioria da raça humana não tem a consciência da sua individualidade, e está rotineiramente identificada com a personalidade, de onde lhe vem o receio contínuo pelo mau êxito, pela miséria, pelo sofrimento e pelo infortúnio, cujas representações mentais, quando insistentes, se gravam tão profundamente no espírito que provocam todos os males que se temem.

Quem não se ajuda a si mesmo, escutando a voz da sua consciência, não encontrará ninguém que o ajude. Ao perder a própria estima, perdemos o nosso melhor amigo, que é a nossa ajuda mais eficaz.

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