Sobre o livro
O identitarismo já não desfila com a mesma segurança de poucos anos atrás. Perdeu parte do encanto, começou a rachar em público e já não reina sem contestação nos meios que o celebraram com fervor. Mas seria tolice confundir desgaste com derrota. A linguagem identitária continua impregnando instituições, códigos de conduta, aparelhos culturais e mecanismos de intimidação.
É desse ponto que parte Adeus, Identitarismo. Antonio Risério volta ao tema para examinar não apenas a ascensão de uma ideologia, mas também o rastro que ela deixou: o empobrecimento deliberado do debate, a transformação da divergência em culpa, a acusação utilizada como arma e o avanço de uma moral punitiva que se apresenta como justiça.
Misturando análise, memória, polêmica e intervenção, o autor escreve sem reverência ao vocabulário da época. Seu alvo não é uma simples moda intelectual, mas um sistema de coerção simbólica que degradou a vida pública, aviltou o debate democrático e fez do medo um princípio de organização cultural.
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