Adendos à doutrina da afirmação e da negação da vontade de viver

Por Arthur Schopenhauer

Sobre o livro

Esse texto é o Capítulo 14 “Nachträge zur Lehre von der Bejahung und Verneinung des Willens zum Leben.” (Adendos à doutrina da afirmação e da negação da vontade de viver), seções 162 até 174, mais Apêndice do capítulo de Parerga und Paralipomena (Obras Acessórias e Suplementos) volume 2, publicado em 1851 por Arthur Schopenhauer.

Schopenhauer investiga a existência humana a partir da tensão fundamental entre afirmação e negação da vontade de viver. A vontade se manifesta com máxima intensidade no impulso sexual e na geração, entendidos como o verdadeiro “nó do mundo”, pois neles a vida se afirma e o sofrimento se perpetua.

Contudo, esses mesmos fenômenos possuem um sentido ambíguo: se o coito exprime a afirmação culpável da vontade, a gravidez e o nascimento reintroduzem o conhecimento, mantendo aberta a possibilidade da redenção.

Vergonha, pudor e sentimentos morais profundos são interpretados metafisicamente como intuições obscuras dessa estrutura do mundo, e não como simples convenções sociais.

Ao mesmo tempo, Schopenhauer mostra que o alargamento do conhecimento, pelo qual o indivíduo reconhece a própria essência nos outros, conduz da justiça à compaixão e, no limite, à renúncia da vontade.

Nesse horizonte, a reprodução deixa de ser um valor e torna-se supérflua, pois a finalidade última, a negação da vontade, já foi alcançada.

Dialogando com o ascetismo cristão e tradições orientais, o autor articula sexualidade, moral e metafísica numa mesma explicação: o mundo é a afirmação incessante da vontade de viver, da qual apenas o conhecimento libertador pode, raramente, oferecer saída.

Sobre esta edição, tradução direta do alemão por Lucas Praxedes, do livro “Parerga und Paralipomena” volume 2. Schopenhauer faz citações diretas a vários outros textos em seus idiomas originais, nesses casos, manteve-se a citação original e inclui-se a tradução em seguida entre parênteses.

Notas e referências incluídas que não são do Schopenhauer, mas da tradução, tem o indicativo da “, NT” nos parênteses.

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