Sobre o livro
O narrador, um homem que sofre com a perda de memória, pressentindo a aproximação da própria morte que se anunciava em sonhos estranhos e repetitivos, decide buscar abrigo na caça às memórias e histórias da sua avó, o ser que mais amara até então. E o único de que se recordava com mais facilidade.
Nesse percurso entre a realidade, a imaginação e a fantasia, o personagem nos brinda com momentos que vão das formas de amor mais puro e os prazeres mais intensos, até às piores dores e tragédias da vida, tanto da sua própria vida, quanto da existência de Abákunhãúna Moendy, um ser mítico que tem sua história contada por ele, no vai vem da trama.
O romance traz narrativas expressivas com trançados de imagens poéticas em que o pulsar do pathos impulsiona momentos de prazeres e dores intensos.
Descortina afetos que movem o humano nos entrelaces das diversas formas de relação primando pela busca do amoroso, em seus múltiplos tons, como fulcro que dá sentido à/s vida/s.
As palavras que esculpem o texto urdem e fazem ressoar os tremores e vertigens que compelem cada existir, bem como os laços do coexistir. Realçam a temática da ancestralidade, o espírito de vida em comunidade, o universo das crenças e rituais que compõem os cotidianos dos vínculos coletivos.
Também são acentuados os sensos de relação de interligação com o telúrico, com a natureza. A narrativa do texto traz pensenações que anunciam lampejos de lições de vida, compassos de buscas de sabedoria.
Miguel Almir […]Abákunhãúna Moendy, ritos e raízes é abarcado de uma cultura maciça, forte, que se mescla com a literatura afrofantástica e com a literatura poética, é um livro que mistura o tempo e a vida.
A literatura é realmente imagética, isso é lido livremente na narração do livro de Gilucci Augusto, sua escrita conduz um ímpeto imagético que é seduzido pelo Moendy, um personagem criado para mostrar esperança, ancestralidade, a personagem válida em nós necessidade de buscar o melhor nos seres humanos.
O livro é de idas e vindas. É um livro que demonstra os amores sem padrão, ou regras, é um amor livre, como deve ser. A narrativa Gilucci constrói um Caminho de encruzilhadas sejam pela: poética, ou pelas memórias afetivas, ou mesmo através das histórias fantásticas!
Essa mistura que da alma a escrita do autor e alimenta a alma do Livro.[…] Marcos Cajé Em seu romance de estreia, Abákunhãúna Moendy – ritos e raízes, Gilucci Augusto transita pelo universo da memória e da ancestralidade, através da personagem que dá nome ao romance e da avó, matriarca de origem simples e que acredita no uso das ervas para curar os males do corpo e da alma.
O narrador lembra da convivência com a avó e dos seus ensinamentos, das histórias que contava e que o inspiraram para a escrita do romance.
A mola propulsora da narrativa é o medo do esquecimento, da perda da memória e por isso a escrita se coloca como o meio de perpetuar vidas, sonhos, crenças e esperanças. Interposto a essa narrativa está a história de um amor, vivido por um casal, pais do narrador.
O capítulo mais bonito, para mim, é o sexto e último, no qual a poeticidade se faz forte e encanta os olhos e a alma. Rita Queiroz ABÁKUNHÃÚNA MOENDY Este livro passa pela alegoria, pela lenda e pelo espaço autobiográfico conduzindo o leitor a um universo povoado de beleza e misticismo.
Gilucci com o seu olhar cuidadoso, mergulha e faz um relato quase que fotográfico da cultura de um tempo, numa viagem repleta de antigos rituais e gestos da cultura que nos definem e nos dão identidade.
[…] ABÁKUNHÃÚNA MOEDY se afirma como instrumento de reflexão sobre a multiplicidade cultural que constrói o tecido social brasileiro. Uma leitura a não perder. Cintia Palmeira-mediadora artística e cultural. Formadora do projeto Ninho da leitura em Portugal.
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