A Terceira Pessoa Depois de Ninguém

Por Emanuela Carvalho

Sobre o livro

A INVISIBILIDADE DA MULHER NO CÁRCERE Bandido bom é bandido morto?

E o que diria a parte da sociedade que acredita e reproduz esse ditado a respeito da bandida – a mulher que, subjugada na sociedade, sofre duplamente a sua condenação no cárcere, sob o peso do machismo, do preconceito, e na visão da autora, principalmente, do abandono?

A Terceira Pessoa Depois de Ninguém, segundo livro de Emanuela Carvalho – autora de Antes Feliz do que Mal Acompanhada, traz relatos de mulheres que estão detidas no Conjunto Penal Feminino no Complexo Penitenciário da Mata Escura.

A escuta das histórias, autorizada pela Superintendência de Ressocialização Sustentável, aconteceu entre os meses de janeiro e abril de 2017. À autora não coube julgar os atos cometidos por essas mulheres.

O objetivo foi ouvir a história de vida de cada uma delas, na tentativa de traçar uma linha do tempo que envolvesse o antes do crime, o durante a detenção e as perspectivas para o futuro, tudo isso num contexto de abandono e invisibilidade ao qual elas são destinadas assim que entram no presídio.

Os relatos são fortes, frutos de vivências sofridas, marcadas por ausências – seja do Estado ou da família, ou por excessos – da violência ou do poder do tráfico de drogas.

São histórias que oportunizarão uma discussão importante a respeito do lugar reservado às mulheres, não só na sociedade, mas também dentro do cárcere.

Além das histórias contadas pelas detentas, há o relato da Diretora da Penitenciária sobre o trabalho proposto e executado no presídio e de um dos funcionários, que trabalha há mais de 15 anos no complexo.

A autora também convida especialistas que apresentam opiniões sobre alguns dos relatos, oferecendo assim, a oportunidade de refletirmos sobre questões tão sensíveis como a invisibilidade, o abandono, o uso de drogas, o poder do tráfico, a maternidade no cárcere, as relações amorosas, entre outras.

São eles: o psiquiatra Lucas Alves, a psicóloga Danuzia Lopes, o pedagogo Marcos Marcelo Ferreira, o advogado criminalista Carlos Magno Vieira e o delegado Artur Guimarães. A apresentação do livro foi escrita pela então Senadora Lídice da Mata.

O prefácio é da professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, Doutora Verônica Domingues. A orelha é do jornalista e escritor Ricardo Ishmael.

A apresentação da autora fica por conta de Luana Trindade, publicitária e a quarta capa é de Marta Cury Maia, editora do Estadão, jornal para o qual Emanuela, a convite de Fausto Macedo, escreve artigos sobre os temas tratados em seus livros.

O livro traz fotos de Elias Rosal sobre o cotidiano das detentas.

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