A Tempestade: William Shakespeare The Tempest (William Shakespeare translations into Portuguese (traduções para o português) by Rafael Raffaelli)

Por Rafael Raffaelli

Sobre o livro

Translation into Portuguese

Tradução em português

A presente edição de A TEMPESTADE (The tempest) foi revista e adaptada para leitura em plataformas digitais.

1ª edição impressa (2014)

2ª edição revista digital (2021)

Embora A Tempestade (The tempest) seja a peça pela qual se inicia o denominado Primeiro Fólio das obras de Shakespeare (Mr. Shakespeare’s Comedies, Histories & Tragedies), editado por John Heminge e Henry Condell em 1623, ela é considerada a sua última produção solo, antes da colaboração com John Fletcher.

O fato mesmo de ter surgido como a primeira das peças compiladas no Primeiro Fólio foi entendido por muitos comentadores como um sinal que ela significava o apogeu da carreira do dramaturgo, na qual ele se retratou na figura de Próspero.

Some-se a isso que A Tempestade, pela sua pregnância imaginária, expressão simbólica e popularidade, é a obra em evidência nos dois templos londrinos que homenageiam Shakespeare: o memorial em Poet´s Corner na Abadia de Westminster e o vitral (Shakespeare Window) na Catedral de Southwark.

Segundo os Relatos de Festividades (Revels Accounts) da corte, a peça foi apresentada para James I no palácio de Whitehall (Banqueting House), Londres, em 01 de novembro de 1611 e, cerca de um ano e meio depois, reapresentada no casamento da princesa Elizabeth Stuart, filha de Jaime I, com Frederick V, o Eleitor Palatino, no mesmo local.

Em linhas gerais, a peça conta a história de Próspero, Duque de Milão e alquimista, exilado há doze anos numa ilha, que através de artifícios mágicos fomenta uma tempestade e faz com que o navio no qual viajam seus inimigos aparentemente naufrague. O auxiliar de Próspero nessa tarefa é Ariel, um espírito aéreo, que comanda os demais espíritos elementares.

O enredo, aparentemente desconexo, não está elaborado segundo a ideia da unidade da ação do teatro clássico, mas conforme o emprego de analogias, onde os naipes de personagens emulam o tema essencial do confronto pelo poder, podendo ser encarado, assim, como um trabalho experimental.

Mas qual poderia ser a inspiração inicial para esse entrecho dramático?

Em 1607, quatro anos após o início do reinado de James I, a Companhia Virgínia fundou uma povoação na América do Norte denominada Jamestown. No verão de 1609 o conde de Southampton enviou para a Virgínia uma frota transportando em torno de seiscentas pessoas entre tripulantes e colonizadores.

A frota desbaratou-se em meio a um furacão e a nau capitânia Sea Venture foi deliberadamente lançada nos arrecifes de uma ilha das Bermudas para evitar seu afundamento.

Os relatos dos eventos relacionados ao naufrágio do Sea Venture, que despertaram grande interesse em todos os estratos da sociedade inglesa da época, apresentam similaridades com o texto de A Tempestade, e muito provavelmente inspiraram Shakespeare a escrever sua peça, que deve ter sido redigida, então, a partir dos últimos meses de 1610.

Contudo, seria mais prudente afirmar que esses relatos forneceram a Shakespeare modelos e não propriamente fontes para sua peça, na qual ele condensa a visão europeia de seu tempo sobre o Novo Mundo, amalgamando-a com referências clássicas.

Próspero é o maître en scène da representação imaginária do naufrágio, um espetáculo, no sentido teatral do termo – com a magia que o teatro oferta – que decorre em três horas. Coincidentemente, as funções vespertinas dos teatros londrinos da época duravam três horas; assim, tudo que transcorre na ilha aponta para um metateatro.

Quanto às influências literárias presentes no texto, sem dúvida a mais significativa provém de Michel de Montaigne (1533-1592), de cujo ensaio Dos Canibais Shakespeare retirou um trecho transcrito quase verbatim.

Nesse ensaio Montaigne descreve o modo de vida dos índios tupinambás, que habitavam o atual Estado do Rio de Janeiro, segundo os relatos de viagens dos franceses André Thevet, As Singularidades da França Antártica de 1557, e Jean de Léry, Viagem à Terra do Brasil de 1578.

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