Sobre o livro
Com sua contumaz lucidez, ele denuncia esta ideologia, que se pretende ser uma filosofia, que miopiza os incautos através do avanço tecnológico, este na verdade, um suporte ideológico que, sobretudo, favorece o poder material dos poderosos a serviço da manutenção do status quo; que afirma, a manhosa e manipuladoramente, a inexorabilidade de mudanças diante das injustiças; que desproblematiza o futuro, através da “insensatez e brutalidade dos burocratas”.
Ao mesmo tempo, Freire esperançadamente afirma a história como possibilidade e não como determinismo, marca a diferença entre treinamento e formação, condena os dogmatismos, inclusive os dos partidos políticos progressistas e reacionários; formaliza a dialética da unidade na diversidade, mas sobretudo e veementemente, recusa a “morte da História, da utopia, dos sonhos”.
Ainda nos fala da sua experiência do exílio.
As reflexões políticas e éticas, postas com beleza e sabedoria em todos os momentos da escrita do À sombra desta mangueira a faz uma obra fundamental, não apenas para os profissionais da educação, que sabem que “o domínio técnico é tão importante para o profissional quanto a compreensão política o é para o cidadão” e que ambas as formações cabem aos educadores/as, mas também é fundamental àqueles que acreditam num mundo mais justo, verdadeiramente democrático, onde a formação técnica, científica e profissional seja tão importante quanto o sonho e a utopia.
Ana Maria Araújo Freire
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