A Sentinela do lago: As crônicas de Sedrez

Por C. Ribeiro

Sobre o livro

Algumas entidades não vigiam territórios. Vigiam consciências. Em A Sentinela do Lago, a saga de Ulric Sedrez abandona o confronto direto e mergulha no mistério ancestral, onde amor, mito e alienígena se confundem.

Convidado a se estabelecer temporariamente na Suíça, sob o pretexto de globalizar a Computer Company, Ulric descobre que seu deslocamento não é estratégico, é ritualístico. Às margens do Lago Léman, em Genebra, ufólogos, estudiosos do oculto e observadores silenciosos mantêm uma vigília ininterrupta.

Eles aguardam um contato que, segundo registros não oficiais, ocorre ciclicamente há 10.255 anos. Não se trata de uma chegada. Trata-se de uma presença contínua, uma entidade que nunca partiu porque sempre esteve aqui. Essa entidade é conhecida apenas como A Sentinela.

Mesclada a mitos pré-helênicos e fragmentos da tradição grega arcaica, que apenas Hesíodo ousou registrar, a Sentinela é associada à figura de Équidna, a víbora primordial, mãe dos monstros. Mas o mito é um disfarce.

A verdade é mais perturbadora: a Sentinela é um organismo alienígena reptiliano, uma consciência híbrida, encarregada de guardar, julgar e resgatar almas humanas em momentos de ruptura civilizatória. Ulric descobre que a Sentinela não observa a humanidade de fora.

Ela se alimenta daquilo que resta quando a fé, a ciência e a moral falham. É nesse cenário que o eixo emocional da série se rompe. Kelly Garcia retorna à vida de Ulric de forma paradoxal. Ele a ama duas vezes: uma como ela foi, outra como ela se tornou após eventos que o tempo insiste em reescrever.

Kelly não é apenas amor. Ela é espelho e prova. Sua presença divide o coração de Ulric entre desejo e culpa, entre redenção e repetição. O romance não surge como refúgio, mas como provação moral: amar Kelly novamente significa aceitar verdades que ele preferiria não conhecer.

À medida que seus dons paranormais são postos à prova, Ulric percebe que aSentinela não responde à lógica, nem ao poder, nem à tecnologia. Ela responde a escolhas morais irreversíveis.

Para compreendê-la, Ulric precisa ultrapassar os limites de tudo aquilo que acreditava ser ético, envolvendo-se diretamente com a família de Sir Trevis, uma das forças centrais da SCOPE, guardiã de pactos antigos firmados não por governos, mas por linhagens.

A SCOPE deseja a Sentinela não como entidade espiritual, mas como ativo estratégico: uma interface capaz de mapear consciências, prever colapsos sociais e legitimar intervenções globais. Ulric, pela primeira vez, precisa decidir se a verdade deve ser revelada, ou protegida do próprio ser humano.

Crimes antigos vêm à tona ao longo de uma trilha de neve imaculadamente branca, revelando que a escola suíça onde Ulric é forçado a estudar guarda segredos milenares: ali, gerações foram treinadas para reconhecer, servir ou silenciar a Sentinela.

A Sentinela do Lago: As Crônicas de Sedrez foi concebido para ser o mais enigmático, simbólico e emocionalmente dilacerante até aqui, onde o eixo romance / moral / mito / alienígena se entrelaça, e Ulric é forçado a atravessar limites que antes julgava intransponíveis, passando a ser um livro de ambiguidades, onde não há vilões claros.

  • Não há escolhas sem perda.
  • E não há amor que não cobre um preço.
  • Quando a entidade que vigia a humanidade pede algo em troca, a pergunta deixa de ser se Ulric aceitará.

A pergunta passa a ser quem ele deixará de ser ao aceitar revelar pactos ancestrais da SCOPE.

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