A REPÚBLICA DOS BICHOS: O Grito da Floresta Amazônica
Por MSc FRANCISCO BRITOSobre o livro
A República dos Bichos se desenrola na vastidão da Floresta Amazônica, um cenário onde os animais não apenas vivem, mas falam, governam, conspiram e resistem.
Não é um conto infantil, mas uma alegoria poderosa que une memória, indignação e política, revelando o pulso vivo de uma selva que espelha o mundo humano.
No centro dessa história estão dois protagonistas simbólicos: o Capitão Leão Dourado, líder autoritário e vaidoso, que impõe seu poder com rugidos e arrogância, e o Professor Sapo-Cururu, um intelectual sábio, crítico e didático, que encarna a voz da razão e da resistência democrática.
A floresta é habitada por personagens que representam forças políticas e sociais — a Onça-Pintada, símbolo da força bruta e do aparato militar; a Arara-Azul, voz propagandista e jornalística que espalha notícias e desinformações.
A narrativa começa com a chegada do “vírus da morte”, um símbolo da pandemia que expõe as fragilidades da selva, tanto física quanto moral. Entre caos, mentiras e confrontos, os bichos aprendem a lutar, a se unir e a resistir.
Cada capítulo é uma folha viva dessa história, que mistura política com poesia, memória com justiça. Dos protestos à criação de novas leis, das lutas às esperanças, a República dos Bichos é um grito contra o autoritarismo e um canto pela democracia.
Depois da quebradeira do dia 8 de janeiro, a floresta não voltou a ser a mesma. As árvores estavam marcadas, os rios turvos, e os bichos divididos entre o medo e a esperança. O Leão Dourado, acuado nas colinas, tentava limpar suas patas da lama do golpe.
Mas o coaxar do Sapo-Cururu ecoava cada vez mais forte, chamando os bichos para a clareira da verdade para uma assembleia geral para discutir sobre o que tinha acontecido. A Arara-Azul, antes propagandista do Leão, começou a questionar suas próprias palavras.
Viu que o eco da mentira não sustentava mais o voo. E num gesto de redenção, passou a espalhar os coaxares do Sapo-Cururu, levando a verdade de galho em galho. O Leão, isolado, com medo de ser preso, ficou na colina e só voltou no final de março.
Mas a floresta havia aprendido: quem ruge sem escutar, não pode governar. E assim, o Leão Dourado foi lembrado não como herói, mas como símbolo do golpe de estado para se perpetuar no poder. Não teria como o golpe dar certo, já que o Leão Dourado lançou a minuta do golpe, mas não assinou.
Em vez de ficar à frente e lutar para que o golpe se concretizasse, ele fugiu para as colinas com medo de ser preso, esvaziando as ações do golpe. A República dos Bichos seguiu em frente. Criaram o Ministério das Águas, para proteger os rios.
Fundaram a Universidade da Clareira, onde os filhotes aprendiam história, política e poesia. E foi instituído o dia nacional do Coaxar live: 21 de setembro virou feriado: o Dia do Coaxar Livre, em homenagem à passeata que mudou o rumo da floresta. Mas a história não termina aí.
Porque sempre haverá um novo rugido tentando dominar. Sempre haverá um novo vírus, uma nova mentira, uma nova ameaça. E por isso, o coaxar precisa ser eterno. O Sapo-Cururu, agora mais velho, continuava fazendo política séria e ensinando os mais novos como fazer política.
Diz que a democracia é como o ciclo da chuva: precisa ser renovada, cuidada, celebrada. E que cada bicho, por menor que seja, tem uma voz que importa. A clareira está bem acesa. A floresta está atenta.
E a República dos Bichos, feita de sonho e resistência, segue pulsando — longe de rugidos que foram vencidos. Agora são os coaxares que têm vozes ativas. Os rugidos nunca mais. Há que admitir que palavras são como folhas que dançam com o vento da poesia.
O Sapo-cururu, aquele, sim, é um guardião da palavra, um coaxador atento, um transformador de uma folha seca em leitura com ritual. Essa história é ato de amor que encontrou abrigo no coração que pulsa vibrante dos bichos da floresta. A clareira está em festa. O rugido silenciou.
E o coaxar ecoa — guardado, lembrado, celebrado
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