A Reformulação dos Juízos: Contos & Crônicas

Por Fernando Vieira Peixoto Filho

Sobre o livro

Este livro não tem apresentação de um professor ou profissional das Letras. Os que gostaria que apresentassem declinaram do convite. É que o original tinha alguns textos sobre política que afastaram as pessoas. Como diz o Renato Russo, “nestes dias tão estranhos, fica poeira se escondendo pelos cantos”, e não se pode expressar livremente essa “poeira”, ou seja, uma perspectiva que não aponte para certo espectro político-ideológico.

Digo “tinha” porque troquei alguns textos em que exponho mais incisivamente minha leitura sobre o Partido dos Trabalhadores, que atualmente governa o País. Eram crônicas antigas, é verdade, mas o PT também é antigo. Lula está em seu terceiro mandato, sem contar o período Dilma Rousseff.

Um dia, quando todos os brasileiros puderem escrever livremente sem o risco de serem prejudicados na vida pessoal e profissional (se é que esse dia chegará), talvez publique os textos proscritos. Por ora, estou censurando a mim mesmo.

Retirei algumas crônicas, mantive outras, mas não voltei a convidar ninguém para apresentar o livro. Fica sem prefácio mesmo. Este é, portanto, um livro sem introito.

O texto que precede todos os outros (Drummondiano) até se pode considerar uma apresentação, visto que sintetiza não a obra em si, mas os sentimentos de quem a escreveu, profundamente influenciado pelos escritos de três pilares da literatura em língua portuguesa: Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade e José Saramago.

Então vamos lá. É um livro sem apresentação externa, digamos assim. São textos antigos, bem antigos, com exceção do último. Não se trata de obra inteiramente voltada para o delicado processo político brasileiro, como o leitor há de perceber.

Em termos de predominância, a Parte I trata, sim, direta ou indiretamente, de aspectos sociais e político-ideológicos; as partes II e IV são a essência do livro, penso eu.

São textos mais intimistas, metafísicos, os quais não consigo associar a um gênero mais estrito, mas que fotografam meu modo prevalente de escrever. A Parte III trata de cinema; não como se eu fosse um crítico cinematográfico especializado; longe disso.

São considerações em certa medida superficiais, também intimistas, escritas sob o impacto de alguns filmes a que assisti. Todos, reitero, textos antigos.

Penso que continuam válidos, mas o leitor é que vai dizer. Ao falar do simbólico The Whale (A Baleia em português), Darren Aronofsky afirmou gostar de dirigir filmes sobre “fraturas emocionais”, quando nossos caminhos se perdem e nos machucamos profundamente.

Acredito que a maioria dos meus textos é sobre elas, as fraturas emocionais, esses ferimentos causados na pele que habitamos, numa espécie de suicídio gradual e constante, até a chegada em definitivo da Indesejada das Gentes.

Não é, portanto, literatura para quem deseja alegria ou algum tipo de ajuda intelectual. Um mundo que precisa de influenciadores (a novel e ridícula profissão das redes sociais) é sobremaneira pobre de espírito. Não sou um influenciador.

Não quero, em hipótese alguma, contribuir para a manutenção da mediocridade.

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