A razão segundo G.H: Os sentidos e os significados da vida, pensados a partir da leitura de A paixão segundo G.H. A antropofagia da linguagem na Obra de Clarice Lispector
Por Carlos Alberto Pereira dos SantosSobre o livro
Clarice Lispector é minha escritora predileta. Leio-a desde a segunda infãncia. Época em que nem entendia direito o que ela dizia. Mas ao contrário de achá-la hermética, de escrita difícil; intelectualizada, — compreendi desde muito cedo que Clarice falava diretamente à alma. Logo, eu deveria ter paciência para crescer, e então, amadurecer.
À medida em que fui crescendo, e amadurecendo, voltei aos seus livros. Coisa que faço até hoje.
Por ser uma escritora profundamente delicada, generosa e sábia, e porque não dizer; genial, Clarice Lispector constrói seus textos como uma bordadeira. Cada palavra tem em seu significado algo que vai além do vocábulo. Pois para entender Clarice é preciso mais do que desejo: é necessário vontade. É uma questão de escolha, e não de opção.
Ler os livros de Clarice para mim é um hábito: como viver, ser, estar, permanecer, ficar, sorrir, amar, tratar o outro com carinho e respeito, tomar banho, estudar ou escovar os dentes.
A ideia de escrever este livro veio do desejo de dialogar com o leitor sobre o que trago na alma: nos adentros do espírito.
Embora a palavra ‘adentro’ seja do vocabulário espanhol, uso-a em muitos textos, porque além de ter estudado a Língua Espanhola, e dominar o idioma fluentemente, esta palavra (como a Obra de Clarice) toca-me profundamente a alma.
‘Adentro’ é um advérbio que quer dizer: na parte interior de um lugar ou de alguma coisa. E é assim que me sinto quando leio Clarice: adentrando em um mundo mágico; mergulhando em um mar revolto, com a certeza de alcançar as profundezas de minh’alma, ou a calmaria do oceano.
Quem me conhece pessoalmente sabe que eu gosto de conversar. Para mim o diálogo é o que faz da vida algo possível.
Gosto de trocas, de escambos, de parcerias. Gosto de gente e gosto de alcançar o todo. Gosto de Clarice Lispector. Gosto da vida e amo viver.
Portanto, convido-o(a), caríssimo(a) leitor(a), a mergulhar comigo nesse mar revolto que é a Obra de Clarice Lispector, com o desejo de alcançarmos juntos; cada um a seu modo, o fundo do oceano.
Este ensaio é um exercício de criação, que convida o leitor a pensar comigo ‘A Paixão Segundo G.H.’.
Este livro não tem a pretensão de esgotar o tema ou ser o pensamento definitivo sobre a Obra de Clarice Lispector. Até porque seria impossível, visto pelos olhos de um homem só, abarcar o universo da autora de supetão.
Mas juntos somos capazes de fazermos a nossa própria (re)leitura, de acordo com a experiência de vida de cada um de nós, e aí sim, teremos tocado à Obra despretensiosamente, como quem joga conversa fora, para depois, alimentar-se de ideias.
Seja muito bem-vindo(a)!
Obrigado por ler ‘A razão segundo G.H.’
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