A PERSEGUIÇÃO: ASSÉDIO

Por CARLOS AUGUSTO PRATES DE MENEZES

Sobre o livro

.Beto a esperava com o jantar pronto e um sorriso cansado. _plantão puxado?_perguntou ele, beijando sua testa. Caroline hesitou por um segundo. Guardou o bilhete na bolsa. _Normal …só cansativo. Enquanto Beto falava sobre o consultório ,Caroline percebeu que,pela primeira vez,não sentia completamente segura nem mesmo ali. E do outro lado da rua,alguém observava a luz do apartamento se apagar.

QUANDO O MEDO APRENDE EU NOME. Nos dias seguintes,Caroline tentou se convencer de que tudo não passava de coincidência.Mas o medo não deixava enganar por palavras racionais.

No hospital ,os bilhetes começaram a surgir com mais freqüência.às vezes dentro do bolso do jaleco,outras sobre a bancada da enfermaria.Sempre frases curtas escritas com a mesma letra firme: Você sorriu hoje às 1642”Gosto quando prende o cabelo” Ela passou a mudar seus projetos dentro do hospital,evitar corredores vazios,manter-se sempre perto de colegas.mesmo assim, a sensação de ser observada não desaparecia.

Certa noite ao sair do plantão Caroline encontrou uma rosa branca apoiada sobre o capô do carro o nome dela estava gravado no caule com algo pontiagudo. O ar lhe faltou. Ela ligou para Beto com mãos tremendo. _Amor você veio aqui hoje? Perguntou tentando soar casual.

_não fique até tarde no consultório.Por quê? Caroline desligou sem explicar. Pela primeira vez,percebeu que aquilo era real E perigoso. A LINHA INSIVEL. A perseguição atravessou o limite quando o telefone tocou às duas da manhã. Número desconhecido.

Caroline atendeu por impulso.Do outro,lado apenas uma respiração lenta,quase tranqüila. _Caroline –a voz masculina era baixa controlada –não tenha medo.Eu cuido de você. Ela desligou o corpo inteiro em choque. No dia seguinte encontrou um e-mail no trabalho enviado de um endereço sem identificação.

“ele não te vê como eu vejo.Você nasceu para ser protegida” Foi nesse momento que Caroline começou a se calar de verdade. Não queria preocupar Beto .Não queria parecer frágil.Mas o silêncio passou a ser mais pesado que o medo.

Beto atento às mudanças percebeu sua inquietação as olheiras profundas, os sobressaltos o celular sempre no silencioso. _Caroline o que está acontecendo?

_insistiu ele numa noite _você anda distante assustada . Ela quase contou .Quase. Mas então lembrou da voz ao telefone,serena demais. _é estresse –mentiu.

PRESENÇA. O admirador deixou de ser invisível. Certa tarde Carolina teve certeza de que o viu no hospital: um homem parado perto da saída de emergência,alto usando boné. Quando seus olhares se cruzarem ele não desviou. Sorriu.

Naquela mesma noite um novo bilhete apareceu em sua porta: !Agora você também me viu” Caroline percebeu com nó no peito que não se tratava mais de admiração. Era posse. E o que mais a aterrorizava não era saber que estava sendo seguida mas sentir que a cada dia,ele chegava mais perto. FISSURAS.

O medo muda os gestos antes mesmo de mudar as palavras. Caroline passou a evitar sair sozinha ,recusava convites simples e se assustava com qualquer ruído fora de hora.Beto acostumado a resolver problemas com diagnósticos claros sentia-se impotente diante de algo que Caroline insistia em não nomear.

_você não confia em mim? Perguntou ele certa noite ,enquanto ela checava a janela pela terceira vez. A pergunta doeu mais do que qualquer bilhete. _não é isso _Caroline respondeu a voz falha_ eu só não quero te envolver. Beto ,nós vamos casar.Tudo o que te envolve,me envolve também.

Ela desviou o olhar O silêncio entre eles se tornou um espaço perigoso, onde o perseguidor parecia caber sem esforço.

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