A Performance da Psicagogia no Fedro de Platão

Por Patricia Lucchesi Barbosa

Sobre o livro

Fedro é um diálogo performático que se dá sob a égide do movimento. O drama encena a condução da alma do jovem por meio da transposição da retórica do orador, Lísias, para a retórica do filósofo, Sócrates.

São três as forças motoras que atuam sobre a alma – a necessidade, que corresponde à natureza animal da alma; o lógos, natureza propriamente humana; e o amor, aspecto da divindade que contribui para o rebrotar das asas da alma.

Assim como são três as partes que compõem a parelha: o auriga, cuja correspondência é piloto da alma; o cavalo de boa estirpe, que segue o comando do auriga, e o cavalo indócil, que requer uma contenção.

A fim de elucidar como se dá a performance da psicagogia, optamos por analisar a tese em três atos: as imagens da alma, os movimentos da alma e, por fim, a condução dialética.

Trata-se de uma viagem cinética que requer muito empenho, a fim de alcançar a ordenação do movimento em uma espiral ascendente, semelhante ao movimento dos astros celestes.

Seguir a recomendação délfica do “conhecer-se a si mesmo” requer o conhecimento da alma humana e suas conformações, bem como os seus limites.

Assim, o real objetivo de todo o diálogo é justamente persuadir o jovem Fedro a escolher, por amor, a vida filosófica, bem como persuadir a nós, os leitores de Platão, a escolher acompanhá-lo em seu método de separar e reunir, até que, “levantando-se a cabeça”, possamos vislumbrar a planície da verdade.

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