A Pança: contos

Por Augusto de Lacerda

Sobre o livro

«Nós — bem que nos pese dizê-lo — amamos extremosamente a nossa honra, a nossa dignidade, a nossa família, mas — demónio! — há francamente uma coisa que nós amamos muitíssimo mais do que tudo isto: — é a nossa barriga!

Da barriga, a pança; da pança, o egoísmo; do egoísmo, a ingratidão — e eis derrubado por uma lógica… gastronómica o equilíbrio moral do mundo!

(…)

Em conclusão: queres achar a origem de qualquer mal? procura a Pança. O dito do espirituoso humorista caiu por terra, sob o peso esmagador desta eterna verdade.

«Cherchez la femme!» acabou, morreu.

Cherchez la panse!

Sabes porque a tua vizinha vende o corpo a quem lho quer comprar? Por causa da Pança.

Sabes porque foi preso o ladrão que te roubou a bolsa? Por causa da Pança.

Sabes porque o teu amigo deu um tiro na cabeça, não podendo sustentar a sua numerosa família? Por causa da Pança.

Sabes porque o ministro diz hoje que sim, amanhã que não, e depois de amanhã, nem que sim nem que não? Por causa da Pança.»

Esta edição, tem como base a edição original de 1866, foi cuidadosamente revista e a ortografia atualizada em conformidade com as regras do novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

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