A OUTRA ERA EU: Algumas versões precisam desaparecer… para que voltemos a respirar.
Por Raquel BenevidesSobre o livro
Nem tudo que se parte faz barulho. Mas eu me escutei quebrando.” A partir desse estalo, uma mulher, mãe, esposa, trabalhadora, percebe que não desapareceu de uma vez: foi se dobrando em silêncios educados, elogios-coleira e cuidados que a apagavam.
Entre diários, uma blusa amarela esquecida no armário e um corte de cabelo que inaugura um tempo, ela começa a voltar para si sem sair de casa: diz “agora não” com doçura, pede ajuda antes do colapso, dança duas músicas na sala, organiza a logística da família para ouvir uma banda que a habitava desde a adolescência.
Este livro é o mapa desse retorno. Não traz fórmulas; oferece cenas. O mercado, a mesa de domingo, a reunião de trabalho, o quarto com o abajur aceso. Em cada lugar, um limite claro; em cada limite, um gesto de vida.
A autora escreve cartas à “Outra”, a versão de si que nunca morreu, apenas esperou, e, ao incluí-la, inclui também quem ama: o filho que percebe a mãe “mais mãe”, o parceiro que aprende a apoiar sem controlar, a casa que se torna abrigo e não prova.
Para quem já se sentiu útil demais e vista de menos, estas páginas lembram: algumas versões precisam desaparecer para que possamos respirar. Voltar não é retroceder. É caber inteira, com pão, conversa e respeito, sem pedir licença para existir.
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