Sobre o livro
Imagine alguém que deixa o Brasil nos anos da ditadura militar. O exílio autoimposto se dá mais por valores existenciais do que propriamente por urgência política. Duas décadas depois, ele deixa mulher e filhas no exterior e volta só, desejoso de reencontrar um país que a memória idealizou e reconstruir a vida. Desejoso de reencontrar a ambiência, os amigos que ficaram, principalmente o colega de trabalho que enveredara pela luta armada.
Porém, ele se defronta com finais da Era Collor. Convive com exemplos de imoralidade e corrupção, desesperanças e ganâncias sem fim, notadamente no mundo do trabalho do qual participa, e então procura uma saída, um centro, algum alento existencial.
Esse é o tema que perpassa o romance A noite nos conduz.
Consciente da falência e esgotamento dos valores que idealizara para o país, se põe em busca de uma ética própria, até onde isso é possível.
Em meio a culpas e sentimentos conturbados em relação à mãe e as irmãs, às filhas e ex-mulher que ficaram no exterior, presta trabalho voluntário para crianças carentes numa cidade do nordeste do Brasil, entre praias e caipirinhas esverdeadas.
Entre passeatas dos caras-pintadas pedindo o impeachment do presidente, a amante ocasional, a persistência por reencontrar o amigo desaparecido, e o cargo de executivo numa grande empreiteira do país, faz um acordo tácito consigo mesmo para não se sucumbir numa espécie de esquizofrenia urbana, agindo como um buscador de um modo de vida que o coloque à deriva dos desmandos e individualismos exacerbados à sua volta, para conseguir assim seguir em frente.
O livro recebeu da Fundação Biblioteca Nacional o prêmio Bolsa para Autores com Obra em Fase de Conclusão.
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