A Necropsia Clínica: Interfaces Epidemiológicas e Didáticas
Por Raimundo Sales FilhoSobre o livro
A prática do exame necroscópico, que se confunde com a própria história da medicina, é uma ferramenta ainda imprescindível para o diagnóstico anatomopatológico das principais causas de óbitos.
No Brasil, o procedimento é realizado em duas condições: a necropsia clínica ou acadêmica cujo objetivo principal é o diagnóstico da doença que ocasionou o óbito e a necropsia forense ou médico-legal, que é realizada nos casos de óbitos por causas externas como suicídios, homicídios ou acidentes.
O nosso propósito é dialogar com as diferentes facetas do exame, enquanto recurso didático para correlações anatomoclínicas e importância epidemiológica considerando que as estatísticas de mortalidades são medidas indiretas de saúde coletiva e muito importantes na avaliação da qualidade de vida de uma população.
O preenchimento correto da declaração de óbito, identificando as causas básicas, imediatas e contribuintes de óbito, reduz a mortalidade proporcional por causa indeterminada, ainda elevada em algumas regiões brasileiras, dificultando a alocação de recursos pelos gestores de saúde e, para os epidemiologistas, a identificação de agravos à saúde da população.
A abordagem dos tópicos de Patologia é integrada à descrição das fases da necropsia, razão pela qual a narrativa não é linear, estudando-se o mecanismo básico das lesões contextualizado na cadeia de eventos clínicos que resultaram no óbito.
Há ainda breve referência aos epônimos citados, uma forma de homenagear os grandes mestres que, enfrentado condições insalubres e o desconhecido, estabeleceram os fundamentos da medicina.
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