A mulher que se apaixonou por Lázaro: Contos do Bem–te–vi

Por Ingrid Rodrigues

Sobre o livro

“ROBERTO AUMENTOU O VOLUME. Tereza chamou Marlene. Marlene veio correndo da cozinha, achou que fosse sobre Dona Rute. Dona Rute estava bem, estava ótima, um pouco confusa, mas acordada, interessada, viva. – Marlene, você não quer perder isso – disse Tereza, indicando a televisão.

– A polícia está na cola dele. Parece filme. (…) Chamavam-na de mãe, vovó, madrinha, senhora ou velha. Percebi que essa última alcunha causava certo desconforto social e só era usada quando Dona Rute não podia ouvir. Alcunha era o tipo de palavra da qual Seu Aurélio gostava.

O senhorzinho fazia falta. Era um amante da literatura e um amante – sem adjuntos. Dormia muito, mas as poucas horas de vigília eram bem aproveitadas com leituras e doce de mamão. Mais tarde disseram que o doce o matou.”

Ai, a solidão.

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