A morte do jornalista: causos poéticos

Por Emerson Campos Gonçalves

Sobre o livro

Atenção! Este é um livro de poesias. Nas páginas dele, Emerson Campos explora seu próprio infortúnio como jornalista.

A tentativa – carregada de inquietudes e ensaios – é de dar vida em seus versos àqueles que morrem anônimos, minorias invisíveis barbarizadas na máquina ofegante do capital que toma forma de cidade. Para isso, concluiu: o repórter – frio e objetivo – precisava morrer!

Ao reconstruir o próprio trajeto do solo mineiro aos encantos capixabas, o poeta lança o olhar que herdou de uma vida na reportagem e passeia por causos e gêneros em que acredita.

Traça, assim, um caminho de leitura que começa pela morte, metamorfoseia-se superando o tempo, une sotaques e povos, exalta o encontro de sexos e corpos no mundo de cimento, propõe algo de uma metacrítica perdida, desembarca no cenário de concepção da obra e, ao fim, derrama-se no essencial.

O perigo nesta leitura, portanto, não é constatar a morte, mas decidir fazer uma revolução e renascer entre os 51 poemas.

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[Apresentação/Prefácio]

O jornalista não morreu – folgo adiantar ao leitor. Em seu livro de estreia, Emerson Campos matou aquilo que o matava: a falsa imparcialidade, a pretensa objetividade, a inglória corporatividade. Mas, nos 51 poemas que apresenta, manteve o jornalismo em essência.

A poesia é a mais crua versão dos fatos, asseverava Cazuza. E em seus “causos poéticos”, o autor reporta (com crueza, dureza e beleza) fatos rotineiramente estampados nos jornais – morte, crime, miséria, desigualdade social, mazela urbana. Também faz ode ao amor, sem o qual não há poema possível.

Nos sete atos que compõem a presente obra, latejam competências indispensáveis a quem se pretende repórter: sensibilidade, olhar crítico, capacidade de síntese, não aceitação das formas impostas e, sobretudo, apreço e sábio uso da língua-mãe.

A morte do jornalista em questão, portanto, é metáfora de renascimento. É uma acertada tentativa de caminhar na direção contrária da que seguia para, então, iniciar sua própria revolução – revela o autor ao falar do seu tempo de mudança.

É a salvação do jornali(ri)smo, para sorte da literatura.

Daniel Silveira (jornalista e escritor)

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