A marcha dos vão sem rumo norte

Por Marcus Vinícius Bandeira de Menezes

Sobre o livro

Um vírus a contaminar nossos pesadelos.

Sonhar, deixamos de fazê-lo, mesmo tomados pelo convencimento segundo o qual os sonhos não são nossos e a vida se tornou seu avesso a partir do momento o qual fomos enredados por uma nuvem invisível de um mal a nos trazer à memória a delirante e esplendorosa narrativa acerca das dez pragas a bombardear o Egito.

Estávamos a viver a décima-primeira, proclamou uma multidão de vozes dissonantes, irracionais, alienadas, odiosas e niilistas na internet, algumas camufladas sobre falsos perfis, tudo parecia falso nesse instante por tempo indeterminado, porém o vírus era a pior verdade a nos atormentar; a peste de Camus morreria de tanta impotência e vergonha.

Fomos instados a gestar um voo cego genealógico sobre a marcha insólita e virulenta de uma multidão dominada pelo torpor frente a algo estranho e incompreensível a levá-la a uma sorte ilógica e contaminada por uma atmosfera metafísica/transcendental.

Havíamos sido os mesmos durante muito tempo, e essa mudança repentina passou a mexer com todos, inclusive comigo, por ter-me dificultado como nunca em fotografar e principalmente filmar uma atmosfera tão insuportável para os olhos de minha câmera, cuja teleobjetiva um dia perdi de tanto procurá-la em vão.

Pule enquanto há tempo de não mais olhar para trás.

Ainda não era a peste, no entanto poderia ser algo pior e para tanto pouco importava mudarmos ou não de atitude frente à invisibilidade virulenta a nos aparecer e desaparecer subitamente, como se não mais existíssemos enquanto ainda continuávamos a ser quem fôramos até pouco tempo, quando jamais podíamos imaginar chegar à situação à qual enfim chegamos.

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