A Maldição do Cativo
Por Athos Filemon Barbosa de CarvalhoSobre o livro
“O fazendeiro acendeu outro cigarro e deu uma olhada no monte de sacos que usou como banco para se sentar. Um pouco de poeira subiu deles, enquanto ele encontrava o melhor local para acomodar a bunda. Tirou o chapéu da cabeça e abanou o rosto por um momento, então colocou-o de lado.
Lázaro e os outros dois estavam parados diante dele, enquanto os outros escravos foram trazidos e enfileirados novamente diante do fazendeiro.
— ‘Tão ven’o aquilo lá? — José João apontou para uma peça de madeira solitária no canto do terreiro.
A madeira era velha, mas o cerne ainda persistia depois de muitos anos sem cuidado no tempo, enfrentando chuva e sol. Aquele era o cenário que nenhum escravo queria encarar e os mais novos só conheciam a fama: o tronco.
Com um gesto, o fazendeiro pediu o chicote do capataz. Pegou a peça de couro curtido e trançado, sopesando, então olhou para a fila que estava em sua frente, encarando os rostos cheios de temor.
— O que Calisto te disse ont’a noite? — José João apontou o chicote para Lázaro, mas antes que o escravo pudesse falar, apontou para Jorge — ‘Cê fala prime’ro.”
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