A Lâmina das Horas: (poesia do cotidiano)

Por PAULO MORAES

Sobre o livro

AVESSO DA LUA

Quero adormecer no avesso da Lua

e encolher-me no colo do acalanto,

sem pensamentos, nem memória.

Vou apagar a presença do corpo,

e assistir a inclinação onírica

das montanhas em reverência.

Estarei ausente deste mundo,

percorrendo caminhos labirínticos,

através do emaranhado de sonhos.

Quero encontrar lá uma poesia

que me explique certas coisas.

Já não serei uma consciência

diante do enigmático e esfíngico

ar cinzento do irreal e indecifrável.

Andarei igual e indistinguível

através das imagens de sombras vivas,

vozes sem boca e rostos sem olhos,

cercado pela atmosfera de delírio.

Aí os meus problema se evaporam.

Vou estar naquela transição

entre o sono e a vigília;

entre o entardecer e a noite;

entre a alvorada e a manhã.

E quando despertar no outro dia,

contarei com a sorte e apostarei,

que as lágrimas frias da noite,

sequem com o calor do dia.

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