Sobre o livro
Minne tem uma vida interior que ninguém ao redor consegue ver.
Por fora: uma adolescente bem-criada, noiva obediente, filha de família. Por dentro: um mundo construído às escuras, alimentado por fantasias sobre um ladrão imaginário que ela chama de Rat — um amante inexistente, perigoso, perfeito exatamente porque não existe. Minne não deseja o crime. Deseja a intensidade. Deseja sentir algo que o mundo respeitável onde vive parece ter decidido que ela não precisa sentir.
Quando se casa com Antoine — bom, honesto, completamente despreparado para ela —, começa uma busca silenciosa e obstinada: Minne quer descobrir o que é o desejo de verdade. Não o desejo como o casamento o apresenta, domesticado e previsível, mas aquele que ela inventou nas sombras do quarto e que ainda não encontrou em lugar nenhum.
Ela vai procurar. Nos bairros que não deveria conhecer, nos homens que não deveria frequentar, nas situações que deveriam a horrorizar e não a horrorizam. O que encontra, porém, é mais desconcertante do que qualquer fantasia: a distância abissal entre o que imaginamos e o que é real, entre o que buscamos e o que somos capazes de reconhecer quando finalmente chega.
Escrita originalmente em dois volumes — Minne e Os Extravios de Minne — e reunida por Colette numa única obra de rara honestidade psicológica, A Ingênua Libertina é um retrato desconcertante da formação do desejo feminino numa época que não tinha vocabulário para ele. Nem ingênua nem libertina: apenas uma jovem que se recusa a fingir que o que sente não existe.
Colette escreve com a precisão de quem conhece o assunto por dentro — e a elegância de quem sabe que a verdade, quando bem dita, dispensa escândalo.
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