A historia de um amor: Um Romance que Vai Roubar Seu Fôlego e Conquistar Seu Coração
Por Claudemiro MartinsSobre o livro
A chuva caía sobre Porto das Lembranças como se o céu estivesse lavando as mágoas da cidade.
Elena Martins não acreditava em acasos. Nem em previsões astrológicas, nem em sinais do universo, e muito menos em homens que prometiam eternidade com olhos de poeta. Acreditava em coisas concretas: no cheiro de papel antigo das partituras, no peso das teclas do piano sob seus dedos, no silêncio que habitava seu peito desde o dia em que ele partiu.
Por isso, quando seu salto alto escorregou na calçada molhada em frente à Livraria Lua Cheia, ela praguejou baixo, segurando as partituras contra o corpo como um escudo. “Merda”, pensou, vendo as gotas transformarem suas notas em borrões azuis. A última composição que tentara escrever em meses — agora arruinada.
Foi então que ele apareceu.
Primeiro, apenas um par de mãos masculinas recolhendo as folhas encharcadas. Mãos largas, com veias salientes e um relógio de pulso desgastado marcando 23:47. Depois, uma voz que parecia saída de um romance mal terminado:
— “Prelúdio em Ré Menor?”
Elena ergueu os olhos e o mundo desacelerou.
O homem ajoelhado à sua frente tinha olhos da cor das florestas após a tempestade e um jeito de olhar que atravessava cascas. Usava um sobretudo cinza escuro, aberto sobre um suéter preto, e cabelos castanhos desalinhados como se tivesse passado os dedos neles repetidas vezes. Na lapela, um broche prateado em forma de pena — o único detalhe luxuoso em alguém que parecia ter saído das páginas de um livro esquecido.
— Você conhece Chopin? — perguntou ela, mais surpresa do que gostaria de admitir.
Os lábios dele curvaram-se num meio-sorriso que fez algo dentro dela estremecer.
— Conheço o suficiente para saber que esta — ele ergueu uma folha manchada de chuva — era sua tentativa de fugir dele.
Uma gargalhada escapou de Elena antes que pudesse detê-la.
— Daniel — apresentou-se ele, estendendo a mão.
Ela hesitou. Aquele nome soava perigosamente como o primeiro verso de uma história que não terminaria bem. Mas a chuva pingando em seus cílios, o cheiro de papel molhado e algo quente naquele olhar verde a fizeram ceder.
— Elena.
Quando suas mãos se tocaram, uma faísca percorreu seu braço. Não aquele choque clichê dos romances baratos, mas algo mais sutil e assustador: a sensação de que aquela cena já havia acontecido antes. Em outro tempo. Em outra vida.
E então, enquanto a chuva transformava a calçada num espelho turvo, a livraria atrás deles acendeu todas as luzes sozinha.
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