A heresia atual do judeu–cristianismo

Por Jean-Marc Berthoud

Sobre o livro

Os cristãos do primeiro século enfrentaram o grande problema da judaização da fé cristã. Quem, entre os apóstolos, foi o primeiro a enfrentar esse problema? O apóstolo Paulo. Mas em que circunstância o enfrentou pela primeira vez?

Junto ao apóstolo Pedro, ou melhor, contra ele, quando publicamente o confrontou em Antioquia, porque Pedro havia se comprometido com os cristãos judaizantes vindos de Jerusalém para perturbar aquela igreja. Mas onde mais vemos Paulo enfrentando esses problemas? Com os Gálatas, evidentemente.

É nesse texto (com a carta aos Hebreus) que o problema da judaização dos cristãos é mais bem tratado em toda a Bíblia. Naquela época, o cristianismo, nascido da aliança de Deus com Israel, era essencialmente composto de judeus.

Mas esse ambiente judaico havia sido corrompido por falsas doutrinas, próprias da apostasia rabínica que prevalecia em Israel na época de Jesus Cristo.

Duas coisas caracterizavam esse cristianismo nascente: em primeiro lugar, uma ruptura com as leis cerimoniais, porque todas as leis cerimoniais judaicas caducaram com a vinda de Cristo, que em seu sacrifício havia cumprido perfeitamente a Páscoa em sua própria pessoa.

As leis cerimoniais, as quais eram tipos desse perfeito sacrifício, ainda que façam sentido em Jesus Cristo, não possuem mais nenhuma legitimidade no que diz respeito à prática litúrgica da Igreja.

Celebrá-las, agora, quando Cristo já veio, não é outra coisa senão renunciar à fé de Abraão, que esperou com fé e plena esperança a manifestação do Filho de Deus. Em suma, judaizar não é outra coisa senão negar Jesus Cristo.

Os cristãos judaizantes simpatizantes dos judeus (falsos judeus!) que haviam recusado a Cristo, faziam o mesmo que os seus patrícios judeus incrédulos: negavam Jesus Cristo.

A mesma coisa acontece hoje com muitas pessoas que se consideram cristãs e até mesmo cristãos bíblicos, mas negam Jesus Cristo da mesma maneira. Certamente não negam Jesus Cristo explicitamente, como veremos, pois se mostram de maneira ambígua.

No entanto negam Jesus Cristo por seu retorno aos costumes cerimoniais do Antigo Testamento, agora abolidos. Seu erro é considerar que certas leis cerimoniais de Israel, os sacrifícios, a circuncisão, as festas, etc., são ainda válidos.

Mas desde a obra cumprida por Jesus Cristo, essas cerimônias deixaram, totalmente, de ter algum valor.

Mais ainda, aquele que volta atrás e retoma à prática dessas cerimônias abolidas, por esse ato simplesmente rejeita todas as bênçãos da purificação de seus pecados pelo único sacrifício de Jesus Cristo na cruz. Verbalmente, ainda afirmam ser cristãos.

Mas por seus atos, mostram que não são de maneira nenhuma. Essa é uma realidade espiritual extremamente grave. Assim, os cristãos nos primeiros séculos tinham de lutar continuamente contra esse perigo de judaização. Vemos esse combate de novo na Reforma.

Igualmente, encontramos pessoas tentadas pelo judaísmo na época de Spurgeon. É um combate que a Igreja Cristã deve travar em todas as épocas.

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