Sobre o livro
PELO JORNALISTA JOSÉ WOITECHUMAS Brasília DF
Os escritores têm uma grande virtude, a de poderem contar suas histórias através de personagens fictícios sempre com a velha “desculpa” de que “qualquer semelhança com a vida real não passa de mera coincidência”.
E aí narram suas histórias de forma magistral, reais e que, no entanto, instigam o nosso intelecto. Assim acontece com Kappel que, e aí não mais por “mera coincidência”, nos narra em A Greve, como se estivesse lá.
Com tal riqueza de detalhes, com preciosidade de informações, que até nos faz entender os “meandros”, as sutilezas que envolvem um movimento de paralisação. Para leigos, é possível decifrar o que muitas vezes está por detrás destes movimentos. A Greve a que se refere, tem de tudo, até um assassinado.
Ou homicídio? Na vida real temos atualmente mistérios que não se desvendam. Apesar das evidências. O caso da morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, é apenas um deles.
Por que isto acontece dentro de um movimento reivindicatório, salarial e por melhores condições de trabalho, há algo mais do que isso?
Os demais personagens e fatos que giram em torno desta trama, a enriquecem de conhecimentos sobre seres humanos, a vida cotidiana que por si dá um romance, mas se tornam tão elucidativos na narrativa do autor que nos sentimos próximos e quase inseridos nas próprias histórias.
Certamente que muitos de nós vivenciamos fatos semelhantes, mas contá-los exige outras qualidades. Uma delas a simplicidade, outra, a originalidade. A capacidade narrativa de Kappel reúne ambas e aí está mais um valor intrínseco nesta obra.
Caberá a cada leitor identificar o significado dos Inspetores Federais da Terra e do Agronegócio na construção da consciência do que eram e do que hoje são os servidores públicos federais.
O que cada categoria funcional significa na construção das riquezas do país e da consciência democrática que estão definidos no conceito de Pátria! “Pátria não é bandeira, pátria não é território, não é exército, não é símbolo, não é língua, não é idioma, não é raça, não é genética”. Pátria!
É a fraternidade humana, no conceito do próprio autor.
Nos tempos bicudos que vivemos de crise econômica, financeira, moral e ética, a leitura da Greve, nos deve levar a reflexão daquilo que entendemos como tal, qual o sentimento que nos identifica possuidores do compromisso com a fraternidade humana.
Luiz Antônio Hecker Kappel consegue dar clareza não só das lutas funcionais das quais participou (ou participaram seus personagens) e que permitem pisar firme em solo instável na busca de firmar convicções que devemos ter mesmo de uma Cruz de Malta Americana, que pode ser um País surrealista, onde alguns já sobreviviam em torno de uma crença ideológica, resistente à marcha da história e do mundo, ignorando o verdadeiro sentido do que seja solidariedade e fraternidade, como ideal de alguns dos personagens desta história da Greve.
Certamente há semelhanças que não são meras coincidências com esta Pátria Amada chamada Brasil!
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