A Esfinge

Por Philippe Thorp

Sobre o livro

Tebas não é o berço de muitos heróis à toa. Muito antes de ser fundada, já era um local mítico. O dragão de Ares, lorde Drakon, escolheu aquele território como morada e ergueu seu clã, que impressionava até mesmo aos deuses por toda a força e poder.

Não obstante, a cobiça humana não demorou muito a surgir, dando início a uma longa guerra entre esses povos. Muito tempo passou e muitas vidas se perderam com essa guerra, sendo Drakon enfim vencido por Cadmo, o fundador de Tebas.

Para demonstrar a vitória humana diante a raça dragonar, uma grande muralha fora erguida, utilizando dos sete dentes que o dragão perdera na batalha, para a confecção dos sólidos e famosos sete portões.

Com o crescimento da pólis e com sua prosperidade, a sombra de Drakon se encolerizou no Hades e exigiu vingança, pois considerou um terrível ultrage ser morto por um reles humano e ter seus dentes usados para defender tão vil raça.

Como as Erínias se recusaram a tal serviço, os deuses decidiram encarregar tal tarefa a uma esfinge, que ficaria castigando a cidade até que o espectro de Drakon se acalmasse.

O rei tebano nessa época é Laio, que enfrenta, além desse castigo divino, uma terrível crise no casamento por causa de sua escolha diante o mau presságio vindo de um oráculo.

Sem possibilidade de reaver o calor matrimonial, busca desesperadamente aventura amorosa, não poupando recursos nem poderes como soberano para conseguir o que tanto deseja. Some a isso a chegada de um terceiro elemento vindo de longe, sem ter o devido conhecimento.

O que pode acontecer num cenário tão caótico?

Essa peça é uma espécie de introdução ao mito de Édipo, com o objetivo de construir “o antes da história contada por Sófocles”, com uma lingagem menos densa, transportando o mundo antigo grego para uma fala mais abrasileirada, embora ainda haja o emprego de algum léxico grego e do texto ser escrito em versos, mantendo algum referencial com a antiguidade e com o estranhamento do leitor.

Não obstante, utiliza de outra vertende do mito, além de não ter grande preocupação sonora ou ritmica, pois trata-se de uma abordagem experimental, numa mescla da mitologia canônica com a desvairada fantasia criada pelo autor, como faziam os poetas do teatro grego antigo.

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