Sobre o livro
Carlos Drummond de Andrade chamou de “miniaturas” esses textos fragmentários, escritos à margem da vida, em que a realidade confina com as invenções da ficção e da memória afetiva.
Pequenos contos, reflexões curtas, notas cotidianas: tudo aqui se confunde numa amorosa variedade. Ao publicar A disciplina do amor, em 1980, Lygia Fagundes Telles já era a consagrada autora de três romances e dez coletâneas de contos.
Apesar de seu êxito como romancista, muitos críticos tinham apontado a ficção curta como o território de maior maestria da escritora.
Agora ela ressurgia experimentando uma escrita mais livre, que despreza as fronteiras entre a ficção e a realidade, a invenção e a memória, o conto e o relato autobiográfico. Estava lançado o desafio à separação rígida dos gêneros literários.
O resultado foi um dos livros mais bem-sucedidos da autora, vencedor do Prêmio Jabuti e do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), agora em nova edição, revista pela autora.
“No princípio era o caderno”, diz logo no início do livro o título de um dos fragmentos, referindo-se aos tradicionais diários das moças de antigamente.
Espécie de paródia amadurecida de um discurso da intimidade juvenil, o livro estende sobre o mundo um olhar atento, às vezes desencantado, mas sempre compreensivo e terno, na busca incessante da única hipótese de sabedoria cabível nos tempos modernos: “controlar essa loucura razoável”, seguindo o exemplo da “disciplina indisciplinada” dos apaixonados.
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