A COR DA TARDE: POESIAS – Edição Bilíngue (Português – Inglês)

Por Daniel Genovez

Sobre o livro

Em A COR DA TARDE, terceiro livro de poesias do autor, as palavras se abraçam às imagens, não como reflexos de um espelho invisível na sua essência, mas como a borda brilhante e limítrofe do céu, onde a tarde realça a terra, de cores e harmonia.Somam-se às poesias contemporâneas, de raro romantismo e sensibilidade, outras, mais ásperas e irrequietas, advindas da dor silenciosa nessa Terra de Harpia, que nos desafia, entre a sombra e a coragem.Mergulhar na poesia é se lançar de um abismo, sem estar seguro que suas asas te sustentarão o voo; não há exatidão na tarde que se finda, assim como nas palavras que apenas se queixam da incerteza da noite.

Não há fórmulas para se abrir o mundo, torná-lo mais suave ou mais compreensível. Algumas palavras são como finos raios de sol, na despedida do dia. Dão um ar de tonalidade habitual à tarde, talvez um breve déjà vu de aceitação do inevitável, mas é só.

Por mais que o próprio autor, o poeta expresse seus profundos sentimentos, tão logo que os escreve, perde a autoria, porque a poesia torna-se única, na sua essência, incompreensível, com ou sem nosso consentimento.

Esses poemas, essas poesias que se juntam à cores, fotos e lugares, são silabas torcidas, secas e outras vezes, viçosas, amáveis, encantadoras, na mesma árvore que se dobra ao vento. Escrever poesias é sentir-se pronto para o inevitável, sem saber o que é, estar pronto, diante da vida.

Talvez, porque as palavras sempre nos negam o real sentido, nos iludem e jamais servirão de pontes para atenuar a dor do que, súbito, se apresenta. As palavras são ferramentas expressionista do ser reativo, do não sensorial do profundo sentir.

Não acompanha-nos pelo determinismo de se perder diante do desconhecido, e se, algum dia, poderemos voltar. Não são luzes nem sombras, mas as palavras brilham, como as cores que assombram a tarde, e se apagam, quando a retina cansada recolhe as longínquas estrelas.

Cada verso é um submergir nessa ausência de tudo, onde o que se move é a natureza, esse ar que nos envolve lúdico de um carinho de Deus. Não é um hermetismo pragmático, mas a constatação de que a inexatidão da poesia é a aceitação do mistério sem qualquer esforço de compreende-lo.

Assim, aceitamos a luz sobre a nossa própria obscuridade e ignorância.E, de súbito, já é noite.

In THE COLOR OF THE AFTERNOON, the author’s third book of poetry, words embrace images, not as reflections of an invisible mirror in its essence, but as the bright and borderline of the sky, where the afternoon highlights the earth, of colors, and harmony.

They serve as contemporary poetry of rare romanticism and sensibility, others, rougher and restless, arising from the silent pain in this land of Harpia, which challenges us, between the shadow and the courage.

To immerse in poetry is to launch of an abyss, without being sure that its wings will support the flight; there is no exactness in the afternoon that is over, just as in words that only complain of the uncertainty of the night.

There are no formulas to open up the world, to make it softer or more understandable. Some words are like fine rays of the sun, in the farewell of the day. They give an air of habitual tonality in the afternoon, perhaps a brief déjà vu of acceptance of the inevitable, but that’s all.

As much as the author himself, the poet expresses his deep feelings, as soon as he writes them, he loses his authorship, because poetry becomes unique, in its essence, incomprehensible, with or without our consent. These poems, these poems that join to the colors, photos and places…

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