Sobre o livro
Um auto moralizante de classe média no Brasil dos dias atuais. Assim pode ser lido o mais novo romance de Carlos de Brito e Mello, autor de A passagem tensa dos corpos.
Romance construído a partir das muitas vozes de seus personagens, trilha um caminho completamente novo e singular na literatura contemporânea brasileira – ainda que contenha ecos de Osman Lins, Lucio Cardoso e mesmo de Gonçalo Tavares.
É uma seara mais experimental, mas mesmo assim tem carisma, graças à escrita precisa e à visão de mundo absolutamente anárquica e derrisória do autor a partir de temas como a morte, os maus hábitos, a mediocridade. É uma espécie de jornada teológica no cotidiano mais comezinho.
Um “inquisidor” percorre a cidade apontando para as falhas dos habitantes. Estes, por sua vez, logo aderem ao mesmo comportamento – em vez de se rebelarem – e toda a cidade se converte numa espécie de auto de fé.
O resultado, hilário e com certo travo amargo, é um retrato da subserviência de muitos diante do poder. A cidade, o inquisidor e os ordinários é um livro que alterna comédia, observação dos costumes e crítica social, tudo por meio de uma prosa altamente imaginativa e empática.
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