Sobre o livro
“A China entrou em mim pela primeira vez em 1999, quando descobri a Anthologie de la poesie chinoise classique, organizada por Paul Demieville e publicada pela Gallimard. A partir de então, ela cresceu como um vírus ou como um império e se alastrou dos olhos para o cérebro, os pulmões e o sangue.
Passei a procurar sofregamente por poemas de Li Po, Li Bai, Li Bo e 李白, em edições traduzidas para o francês, o inglês, o espanhol, o alemão e o italiano e, não satisfeito com apenas ler, logo empreendi minhas próprias traduções — refrações de difrações de invenções variadas, que talvez pouco tenham a ver com os originais escritos há quatrocentos, quinhentos, três mil anos, mas que podem ser lidos como um conjunto de poemas válidos para o leitor mais interessado na beleza surpreendente da poesia do que na verdade estéril dos documentos.
Que o leitor erija sua própria geografia a partir das paisagens feéricas que aqui se esboçam, que a China aos poucos se desdobre como um papel amarelado que de repente ganha vida — é o máximo a que um poeta ou um tradutor pode almejar, e imagino que Tu Fu, Du Fu e 杜甫 não ficariam insatisfeitos com esse destino”.
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