A Casa Sem Janelas Livro 2 A Saga da Casa dos Espelhos: Onde os Reflexos Caminham e a Fé se Desintegra
Por Elira BlackwoodSobre o livro
Os espelhos desapareceram, mas o seu silêncio permanece.
Selene Verath sobreviveu aos horrores da sua casa ancestral, mas a liberdade traz consigo um novo tipo de terror. Onde quer que vá, o mundo parece mais ténue, como se o próprio ar se lembrasse do seu reflexo. Os rios brilham com uma luz impossível. As poças sussurram o seu nome. E, por vezes, pelo canto do olho, ela vê-se a si própria a afastar-se.
Espalha-se a notícia de uma doença transmitida pelo vidro — pessoas afirmam que seus reflexos se movem sozinhos antes de desaparecerem completamente. Aldeias drenam seus lagos, cobrem suas janelas e queimam todos os cacos de espelho que encontram. Mas isso não é suficiente. A infecção não se espalha pelo vidro. Ela se espalha pelo sangue.
Perseguida como bruxa, Selene se refugia em uma pousada remota onde todos os espelhos e janelas foram fechados com tábuas.
Lá, ela conhece a Ordem de Santa Liria — uma irmandade secreta de “Caçadores de Vidro” que destroem portais refletivos e caçam os impostores nascidos do espelho que emergem deles.
Liderada pelo cansado e devoto Irmão Aldric, a ordem vê Selene não como uma salvadora, mas como uma fonte de contágio — um canal vivo para a maldição que começou em sua linhagem séculos atrás.
Desesperada para acabar com a praga de uma vez por todas, Selene se infiltra na Igreja do Véu, uma nova fé que surgiu das cinzas do medo. Seus seguidores adoram A Velada — a deusa do reflexo e da renovação — e prometem a salvação através da rendição da imagem de cada um ao vidro. Mas o profeta da igreja não é outro senão seu reflexo fugitivo.
Lira Verath.
Perfeita, equilibrada e destemida, Lira afirma ser a verdadeira Selene — aquela que escapou do espelho enquanto a cópia falsa foi deixada para trás. Sob sua orientação, as cidades caem em histeria. Tanto os nobres quanto os pobres se ajoelham diante de seus próprios reflexos, implorando por renascimento. O próprio céu escurece até ficar prateado.
Enquanto Selene luta em santuários em ruínas e catedrais infestadas de espelhos, ela começa a questionar as fronteiras entre reflexo e eu, memória e invenção, corpo e alma. Cada superfície espelhada revela um mundo em que ela não pode confiar — e uma verdade que ela não pode suportar.
Porque quanto mais ela se aprofunda no mistério de sua linhagem, mais ela suspeita que nunca foi completa desde o início.
E o Velado, a entidade nascida de séculos de reflexos aprisionados, está se agitando mais uma vez — não atrás do vidro, mas dentro de suas veias.
Agora, enquanto o mundo desvia o rosto de todas as janelas, Selene deve decidir qual versão de si mesma sobreviverá ao amanhecer: a mulher de carne e osso ou o reflexo que se recusa a morrer.
Em um mundo que esqueceu sua luz, o reflexo se lembra de tudo.
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