A Bella e o Fera: A Maldição da Rosa Vermelha

Por Nicholas Grigoragi

Sobre o livro

O Preço da Vaidade e o Voto de Sangue (Estabelecimento Kármico) O Salão do Trono era uma ode ao excesso. As paredes eram cobertas por tapeçarias de veludo carmesim, e o ar, pesado e morno, cheirava a incenso de mirra misturado ao perfume opulento do Príncipe.

Ele estava no centro, não para governar, mas para se adorar. Seu reflexo na armadura polida e nos espelhos venezianos era sua única divindade.

As vestes, bordadas com fios de ouro que lhe cobriam cada centímetro de pele (exceto as mãos pálidas e frias), eram um escudo contra qualquer toque de simplicidade. Motivação do Príncipe (Ego/Nigredo): Seu medo mais profundo era ser visto como comum ou, pior, indigno de toda aquela pompa.

O luxo era o verniz sobre um vazio de alma. Naquele instante, o Príncipe estava rindo de sua própria piada cruel. Havia acabado de dispensar o mestre de cerimônias (futuro Lumière) por ter sugerido que a esmola aos plebeus do reino fosse aumentada. — O que é a pobreza, senão a falta de ambição?

— Ele bebericou o vinho, cujas taças de cristal eram tão finas que o som de sua haste ao toque ressoava como um sino. — A beleza é a única moeda que me importa.

O Visitante e o Cheiro de Enxofre A porta maciça do salão foi aberta por uma rajada de vento gélido, que trouxe consigo um cheiro anômalo: não era enxofre ardente, mas naftalina e terra fria, o odor de algo muito antigo e esquecido, um cheiro de túmulo.

No limiar, estava uma figura feminina curvada, envolta em trapos de lã grossa. Não era feia no sentido mundano, mas a aura densa que a circundava era repugnante ao Ego do Príncipe. Seus olhos, no entanto, eram o que chamava a atenção: âmbar profundo, a cor do ressentimento cozido por milênios.

Era Circe, a obsessora kármica, disfarçada sob a veste do teste final. Ela estendeu uma mão ossuda, mas limpa. Nela repousava uma única Rosa Vermelha, carmesim tão intenso que parecia ter sido tingida com sangue fresco, contrastando brutalmente com a sujeira das luvas rasgadas.

— Meu Príncipe — a voz era sibilante, sem melodia, como vento frio passando por pedras. — Ofereço-lhe esta flor, um símbolo de paixão e dor, em troca de um abrigo contra a tempestade que se aproxima. Peço apenas a gentileza que o título de “Príncipe” deveria lhe exigir.

O Príncipe, horrorizado não pela figura, mas pela audácia da intrusão, levantou-se. O veludo de sua capa pareceu se enrijecer com seu movimento. — Gentileza? — Seu riso foi um som seco e metálico que ecoou nas abóbadas.

— Eu troco o refúgio do meu palácio, construído sobre a supremacia estética, por um trapo sujo e uma flor que murchará em três dias? Ele avançou, e a proximidade permitiu que Circe sentisse a textura fria e sedosa de suas vestimentas.

— A rosa, Majestade, não é pela sua beleza perecível, mas pelo que ela representa: o tempo que lhe resta para reconhecer que a essência é a única beleza duradoura. Eu vejo a beleza de sua alma, por mais escondida que esteja.

O Príncipe parou a poucos centímetros, aversão pura em seus olhos dourados e duros. — Eu não vejo beleza em sua forma, e só valorizo aquilo que é visível e palpável. Leve sua flor e sua moral para as ruas. Você é indigna de respirar este ar.

A Sentença e a Rosa Kármica O sorriso de Circe desapareceu, e a densidade da aura de ressentimento triplicou. O cheiro de terra fria misturou-se agora com um intenso aroma metálico, como sangue seco. A figura curvada esticou-se, e o disfarce desfez-se em uma névoa cinzenta e vibrante.

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