Sobre o livro
Estre livro se trata de uma breve e poderosa exposição dos olhos de Deus, que vê e sonda a nossa alma – até o mais íntimo do nosso ser. Essa doutrina traz consigo diversas exortações e encorajamentos.
“Trago uma palavra de Exortação. Se os segredos de nossos corações são revelados e patentes, caminhem sob o olhar de Deus.
Aquela expressão de Hagar deveria ser o lema de um cristão: “Então, ela invocou o nome do Senhor, que lhe falava: Tu és Deus que vê; pois disse ela: Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê?” (Gênesis 16:13).
E a visão de Davi deveria estar sempre em nossos olhos: “O Senhor, tenho-o sempre à minha presença” (Salmos 16:8).
Alguns colocam sempre suas bolsas de dinheiro diante deles, outros colocam o medo dos homens sempre diante deles; mas um cristão sábio colocará Deus, o julgamento e a eternidade sempre diante dele.
Se de fato o olhar de Deus estivesse por algum momento longe de nós, poderíamos até tomar mais liberdades pecaminosas; mas se todas as coisas estão patentes e expostas ao Seu olhar, não podemos pecar senão na presença de nosso Juiz. Ó, então, reverencie os olhos de Deus.
Note primeiro, o olho de Deus deve ser um freio para nos impedir de pecar: “Como poderei fazer isso e pecar contra Deus?” Sêneca dá a seu amigo Lucílio este conselho: “Quando você estiver fazendo algo, imagine que alguns dos nobres romanos estão observando você.
Tenho certeza de que você não fará nada desonroso”. O olho de Deus deve estar sempre em nossos olhos; isso seria como um antídoto contra o pecado. E não é suficiente podar o pecado, ou seja, cortar os atos externos; devemos matar a raiz. Crucificar os pecados prediletos!
Não deixe seu coração ponderar sobre o pecado. Além disso, que a onisciência de Deus o desanime de esconder o pecado. Quem esconderia um traidor? Hoje ele se afaga em seu peito, em breve ele sugará seu sangue.
Os homens pensam que pecar no escuro, escondendo seus pecados sob um teto, fará com que nenhum olho os veja (como aqueles que têm problemas de visão acham que o céu está sempre nublado; a falha não está no céu, mas em seus olhos).
Assim, quando o príncipe deste mundo cega os olhos dos homens, por causa da sua visão escura, eles pensam que também está escuro fora, e que Deus não pode ver. Mas lembre-se, todas as coisas estão patentes e abertas a Deus! Não tente esconder o pecado – confesse, confesse!
A confissão faz pela alma o que o cirurgião faz pelo corpo; ela abre uma veia espiritual e deixa sair o sangue ruim. A única maneira de fazer Deus não “ver” o pecado é vê-lo nós mesmos; não com olhos secos, mas marcando cada pecado com uma lágrima!
Note, segundo, que o olho de Deus é um estímulo à virtude: você é zeloso por Deus? Você se sacrificaria pela causa da religião? Deus vê! Certamente não perderá nada. Aqui na terra você terá a promessa, penhorada pelo Espírito Santo, e quando Ele vier acertar suas contas, você será pago com juros. Quanto mais alguém sacrificou por Deus, mais alegrias e glórias ainda estão por vir.
Note, terceiro, que o olho de Deus é um estímulo ao dever. Ó, irmão cristão, que vive a religião em particular, que separa horas para Deus (um sinal de que Ele o separou em santidade), que derrama muitas lágrimas em seu quarto: o mundo não percebe.
Mas lembre-se, o olho de Deus está sobre você, suas orações estão registradas, suas lágrimas estão guardadas, “e aquele que vê em segredo recompensará você abertamente”. Como isso deveria adicionar asas à oração e óleo à chama de nossa devoção?
Tomemos cuidado para não diminuir nosso ritmo na prática da religião, para que nossas lágrimas não comecem a congelar. Se a negligência não nos tirar a coroa, certamente ela pode diminuir a nossa coroa”.
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