A 1ª República Portuguesa e os Judeus (1910–1926) (Portugal e os Judeus Livro 2)

Por Jorge Martins

Sobre o livro

A 1ª República Portuguesa e os Judeus (1910-1926) propõe-se perscrutar as alterações que a Primeira República proporcionou ao judaísmo e às comunidades judaicas. E nem tudo correu bem aos judeus durante esse período.

Se, por um lado, as comunidades judaicas puderam, finalmente, organizar a sua vida dentro da legalidade, por outro, foram vítimas do ressurgimento de um anti-semitismo ideológico por parte dos detractores do regime republicano.

São estas duas faces da nova realidade judaica que se pretendem explorar neste estudo.

Para se compreender a amplitude da acção do regime republicano em relação à plena liberdade de culto e de organização dos judeus portugueses é indispensável ir um pouco atrás, recordar as principais etapas da caminhada dos judeus no sentido da sua emancipação.

Com efeito, dificilmente se compreenderiam os benefícios que a República facultou aos judeus se não expuséssemos sumariamente as vicissitudes a que se viram submetidos desde finais do século XV.

Para isso, é indispensável assinalar, em linhas gerais, as situações que se depararam aos judeus durante os cinco séculos anteriores, a saber: a ruptura com a prática régia anterior que constituiu a expulsão / baptismo forçado de 1496/1497 decretada por D.

Manuel I; a destruição das comunidades judaicas operada pela acção perniciosa da Inquisição entre 1536 e 1831; o papel reabilitador do Marquês de Pombal na segunda metade do século XVIII; a extinção da Inquisição pelo regime liberal, em 1821.

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