Cada caso, um caso… puro acaso: Os processos de evolução biológica dos seres vivos

Por Fábio de Melo Sene

Sobre o livro

Supondo que a ciência seja uma coisa séria, ou deveria ser, e que os cientistas não sejam bobos e nem totalmente loucos, é natural que haja curiosidade em saber em quais informações científicas eles estão se apoiando para afirmarem, há mais de 160 anos, que o processo evolutivo ocorre sem planejamento.

As eventuais mudanças na teoria, nos 160 anos subsequentes aos trabalhos de Darwin e Wallace, decorrem do conhecimento a respeito da variação sobre a qual a seleção natural atua, conhecimento este que ainda não afetou o conceito original de seleção natural.

O processo como um todo é casual em decorrência da incerteza sobre a qualidade e a quantidade da variabilidade que estará sob seleção.

A diversidade atual dos seres vivos, desde a origem da vida e principalmente a partir do surgimento da reprodução sexuada, é decorrente de sucessivos processos populacionais.

Ocorre forte impacto quando as pessoas se conscientizam de que a espécie humana é resultado de uma infinidade de eventos casuais atuando sobre populações mal adaptadas em termos ambientais, e que em cada etapa do processo encontravam-se no limite da sobrevivência.

Esses fatos contrariam a visão romântica de um projeto inteligente a partir do qual seríamos resultantes de um processo que sempre foi decorrente da seleção atuando a favor dos melhores.

Uma ocasião, explicando o processo evolutivo para estudantes com idade em torno de 12 anos, um deles perguntou: – Se os peixes se transformaram em anfíbios, por que existe peixe até hoje?

Tentei explicar a ele por quê, mas não sei se consegui esclarecer que essa transformação ocorreu uma única vez, em uma única população de peixes, que deve ter demorado milhares de anos e que as demais populações de peixes não se envolveram no processo.

E mais, que todo ano no nordeste brasileiro e outras regiões semiáridas do mundo, existem peixes morrendo porque os rios secam e nem por isso eles estão mudando para anfíbios.

A capacidade de adaptar o ambiente às necessidades biológicas da própria espécie faz com que a maioria dos povos atuais acredite que isso sempre poderá ser feito e muita gente, que vive em ambientes aquecidos ou refrigerados artificialmente, não acredita que mudanças ambientais possam afetar a sobrevivência da espécie.

O processo evolutivo prescinde tanto de conteúdo moral quanto imoral e não fornece nenhuma base filosófica para a estética ou para a ética.

Porém, como qualquer outro conhecimento, a biologia evolutiva pode servir à causa da liberdade e da dignidade humana por nos ajudar a aliviar a fome e a doença, bem como a entender a unidade e a diversidade da humanidade.

O tamanho da população humana atual, que já passou de sete bilhões de indivíduos, é o maior risco para a sobrevivência da espécie.

A dificuldade para o controle do tamanho populacional é agravada pela falta de informação/conhecimento, pela deficiência na assistência médica e por restrições culturais/religiosas ao controle da natalidade.

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