Poesia e Só

Por Roni Muniz

Sobre o livro

Não sei convictamente acerca disto que vou dizer agora,mas penso que não há um modo lógico e exato de falar sobre aquelas oscilações imateriais do ser, chamada meramente de sentimentos. Estas que nos embaraça a mente e faz tremer a carne. São um turbilhão às vezes, mas ainda assim são bem vindas.

Sim porque nos brindam diuturnamente com a certeza vital de nossa própria existência.

Pode-se, isto decerto, se descrever a gama de sensações que no corpo deságua, quando a alma transbordando de sentires, vários e variadamente absurdos, deixa jorrar pra além de si um pingo do que em verdade são formados estes turbilhões.

Trata-se, acho eu, de certa anunciação da coisa sentida, fazendo uso das analogias aquareladas e não de descrições precisas. Ah! Isto sim, afirmo que se poderia fazer.

Poderia é o termo e não taxativamente ‘pode-se’, porque ainda não é exato, nem é científico, não será jamais, o que se diz de sentimentos.

Mas ainda que não se possa de fato descrever pela linguagem o sentimento, pode-se intercambiar entre as mentes o clarão da ideia absorvida e estas, as mentes, vão depois tocar, por seus caminhos próprios, o coração.

Talvez seja assim: Aquele que tomar conhecimento deste modo, ou seja, do sentimento transcrito e falado, encontrará em algum lugar no recôndito de su’alma, algo semelhante ou ao menos parecido, e daí se não interpretar de fato o que se disse, colherá pra si ainda na origem, a essência destas narrativas.

Mas, seria só um intercâmbio impreciso de impressões sobre as sensações cujos rótulos são comuns, porque pra falar do sentimento puro, talhar uma linguagem capaz de alcançar o dificílimo ato de esculpir no entendimento alheio a figura do que este ou aquele sentimento é ou provoca, somente a poesia o poderá.

Sim a poesia hoje mal entendida, esquecida pelo conglomerado de gente triste, que de tanto fazer a vida prática, se confunde com as coisas e esquece de sua natureza tão rica. Poesia soa arcaica, fora de moda. É assim que a concebe a maioria. Mas pensemos bem a fundo!

Se a maioria fizesse o melhor que realmente é possível de se fazer, o mundo seria tão cinzento? A resposta e ridiculamente óbvia. Então, brindemos à esta obra de poesia, uma das poucas coisas, se não for a única, que neste mundo desnecessariamente infeliz, ainda não se corroeu.

Afora conceitos estéticos e de ordens classificatórias, ou classificadoras, que enfim quebram-se todas na inutilidade de suas arrogâncias, tome este pequeno livro como um casual encontro com a maravilhosa poesia. Sinta-se, seja, muito feliz enquanto o lê. Desejo sinceramente isto.

Se ocorrer de fato assim, então terás encontrado um canal de comunicação cósmico.

E em toda a eternidade, a poesia por detrás das letras arranjadas pela boa febre irradiada dos sentimentos de amor, se propagará através de sua alma e decairá serenamente pelo seu derredor, regando a vida por ali com energia vibracional positiva.

Sei deveras do que estou falando e espero te mostrar senão para que conheças, para que sorva e se deleite um pouco mais desta coisa. Leia com a alma e o coração aberto, então poderá ouvir o canto mavioso do universo, a despeito de qualquer possível interpretação.

A poesia não tem forma definida, e nem define nada, apenas incorpora em si a extrapolação do que é incodificável. Voe por entre as entrelinhas e reescreva cada parágrafo com a leveza de sua alma. O prazer, como a poesia em si, é inefável em seus pormenores.

Sendo assim, apenas sorva e se delicie, sinta e seja feliz com isso.

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