Sobre o livro
No início, era o ritmo, o “ritmo cardíaco das ondas”, essa origem comum da filosofia e da poesia. Ambas pensam o compasso cósmico da vida e ambas transportam esse ritmo para a palavra escrita. Apesar da diferença no género, podemos mesmo dizer que a filosofia e a poesia nunca se chegaram a separar, pois ambas experimentam e pensam a complexidade intensa desse ritmo através da palavra.
A poesia de Valder Valeirão é, por isso, antes de tudo e depois de tudo, um exercício de filosofia. Ler um poema do Valder, é passar por essa intensidade do mundo, é experimentar o próprio pensamento! A poesia de Valder Valeirão conecta-nos imediatamente com o cosmos, no sentido mais primitivo da vida, lá onde a ciência, a arte e a filosofia se dão a ver como expressão compósita, sintética, do mundo. (…)
(…) A poesia de Valder Valeirão, e o livro que se segue, tem, pois, esse carácter duplo: por um lado, de lucidez sobre o mundo, onde perante o intolerável apetece gritar: “desiste… é inútil!!
/ apenas os sonhos são reais / o resto é ilusão fútil / meras cenas teatrais”; e, por outro lado, de acalento mágico, inhumano porque animal, cósmico, muito para lá do impossível humano, dessa voz do mundo nos passa a mão pela cabeça e sussurra, com carinho: “e aceita que tudo / sim, tudo é possível.”
E, como em toda a boa poesia, o que vem depois, irremediavelmente no fim, é o silêncio.
Catarina Pombo Nabais Lisboa, primavera de 2018
*Fragmentos da apresentação do livro Outonos no Chão de Valder Valeirão.
Baixe esta página em PDF para ler quando quiser, mesmo offline.
📄 Salvar PDFAvaliações dos leitores
Descubra as opiniões de outros leitores, explore avaliações detalhadas e veja se este livro realmente vale a pena para você, com base em experiências reais de quem já leu e compartilhou sua visão sobre a obra.
⭐ Reviews dos leitores













