LIVRO II — TESSITURAS: Nada se constrói inteiro. Tudo é costurado sobre falhas.
Por CENESTESIA GRAFOLOGICASobre o livro
Em TESSITURAS, o narrador atravessa a juventude como quem aprende a manter o próprio corpo unido depois da ruptura. Se em Estilhaços a infância foi marcada pela fragmentação, aqui a vida se apresenta como tentativa: tentativa de ligação, de sentido, de permanência.
Este livro não narra conquistas lineares nem amadurecimentos fáceis. Ele acompanha o surgimento da escrita como gesto ético, não estético, uma prática de sobrevivência que se transforma lentamente em método de existência.
Entre bibliotecas, textos rejeitados, silêncios prolongados e escolhas solitárias, o autor costura o que a infância quebrou cedo demais.
A juventude, em TESSITURAS, é o tempo da linha visível: cada palavra expõe a emenda, cada frase revela o esforço de manter juntas partes que nunca se encaixaram naturalmente. Não há romantização da dor, nem promessa de cura.
Há rigor, consciência e responsabilidade diante daquilo que se escreve e daquilo que se cala. Com uma prosa densa, filosófica e visceral, TESSITURAS é um livro sobre aprender a sustentar falhas sem negá-las.
Um texto que entende que toda identidade é construída sobre restos, e que toda escrita verdadeira carrega as marcas daquilo que tentou, inúmeras vezes, se desfazer. Não é um livro sobre se tornar inteiro. É um livro sobre continuar, apesar disso.
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