A filha que não tive: minha mãe e eu depois do alzheimer
Por Eduardo Nunes CamposSobre o livro
É imperativo desmistificar a falsa ideia de que a demência é sinônimo de fim do mundo. Definitivamente, essa imagem não é fiel à realidade, por mais assustadora que seja a enfermidade e por mais que signifique o início de uma nova vida, para o paciente e para o cuidador familiar. Nova vida. Vida.
A despeito das transformações que a doença provoca naqueles que vitima, muitas das quais se manifestam em todas as pessoas demenciadas, cada caso é único, singular, e assim deve ser encarado.
A despersonalização e o apagamento da própria história produzem, inevitavelmente, dor e frustração, para os que cercam a pessoa acometida pelo infortúnio e, muitas vezes, para ela própria.
Dourar a pílula não é, com certeza, um bom caminho para seguir em frente, se queremos, de fato, atenuar, no limite do possível, o sofrimento inescapável, tanto do nosso ente querido quanto o nosso mesmo.
Tampouco o é, contudo, nos darmos por derrotados, antes mesmo de a batalha se iniciar, ou mesmo nos resignarmos, aceitando passivamente a ideia de que não há nada ou há muito pouco a fazer.
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