A Mulata Caribenha (Mulheres Foguentas Livro 2)
Por Cândido Valério PerrenthSobre o livro
Imperatriz Maranhão Brasil, 1985, setembro 26, 2:44 Prólogo Certamente que ainda não entendo as razões por que pessoas do meu convívio costumam me contar histórias de seus momentos de vida.
Algumas dentre elas contam-me desde ferrenhas mágoas a simples queixumes, desabafam em meus ouvidos tudo quanto lhes pesam os sentidos, desafogam o incômodo de suas mentes.
Comumente costumo esquecer tudo quanto me é dito em segredo ou em simples desabafo de algum incômodo vivido por essa ou aquela pessoa que se dispôs a me contar algo de suma importância para si. Esta história me foi contada por diversas vezes.
Contava-se já mais de cinco anos e a pessoa ainda detalhava-me a mesma história, e sempre recheada de palavras e cenas pornográficas. Impossível esquecê-la.
A princípio achei graça quando ouvi palavras obscenas saindo da boca de Marilene e Vanderlúcia, duas jovens que frequentavam as danceterias da Imperatriz-MA do final dos anos 70, século 20.
Em uma dentre as minhas muitas noites de insônia, abusado de ver filmes via fita cassete, lembrei-me dessa história, apanhei caderno e caneta e comecei a escrevê-la. Porém tive o cuidado de não escandalizar a história, me vali da alusão de metáforas e ocultei as tórridas cenas de sexo.
Logo após escrever em caderno, datilografei em máqui¬na de escrever, fiz um livro, encadernei, reli e engavetei. Dias depois uma amiga veio à minha casa. Eu morava só. Conversamos bastante, fizemos almoço e almoçamos. O manuscrito estava sobre a mesa de escrivaninha.
Maria Lúcia o pegou, leu o primeiro capítulo, perguntou se podia le¬var para ler em sua casa. Eu disse que sim.
Duas semanas depois Maria Lúcia voltou a me visitar e trouxe o manuscrito consigo, disse que gostou da história, porém alegou puritanismo, aconselhou-me a tirar o véu das personagens, que eu escrevesse exatamente o que aconte¬ceu. Disse-me também que eu havia escrito um livro de literatura hot.
Perguntei: — Que porra é essa, Maria Lúcia?.. — Você ainda não se deu conta de que as mulheres do seu livro são altamente sensuais, livres, donas de si e visivelmente despudoradas, eróticas, que tomam iniciativa e sempre pegam o homem que desejam?..
Êta porra, como eu queria ser uma mulher como essa Maria Piedade e essa Mulata Caribenha, a Francisca, que desejou e pegou o jovem amante de sua prima… e crau!, disse-me Maria Lúcia, e mais outras coisas viu e me disse.
Confesso que fiquei surpreso com a visão de Maria Lú¬cia, e mais ainda por ter me aconselhado a contar a história exatamente como aconteceu.
Então, Maria Lúcia, reescrevi tudo em conformidade você me aconselhou, pois dei-me conta de que o que me pareceu ser um caso de amor ou uma simples paixão de uma mulher de 32 anos por um jovem de 20, era simplesmente sexo, puro erotismo.
Imperatriz Maranhão Brasil 1985 Setembro 26, 2:56 Cândido Valério Perrenth
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